A Revolta dos Sonhos
A desilusão.
Quando batemos de frente e sem amortecedor na realidade, o choque é desastroso para quem embala tanto os sonhos.
De noviço se começa a planear o mundo. Da fantasia de gaiato vemo-nos dentro da mais bela magia que nos acalenta as visões futuras e despreocupadas. E crescemos nelas e para elas…
Construímos uma casa como a imaginamos e deitam-na abaixo... Construímos uma mais modesta e rebentam com ela… Construímos uma de palha e pegam-lhe fogo… É mesmo no relento, exposto aos astros da sorte da crua realidade que deves pernoitar a tua imaginação. Apostamos forte no início mas o jogo obriga-nos a baixar a fasquia.
Os sonhos primordiais – os mais antigos e de natura – revoltam-se e, como anjos caídos, interpelam a sabedoria do criador. Desprendem-se do carinho e da resistência. Tombam em cachos, de expectativa em expectativa, por patamares de desacreditada esperança, cada vez mais minguados e estreitos.
E no fundo, bem no buraco da despedida, perdem em definitivo a áurea de luz das asas brancas e o sorriso do pensamento solto pelos mares da aventura. São sonhos que se transfiguram em demónios da consciência, impondo-se como predadores de novos sonhos. Devastam e assolam os panorâmicos vales do ideal com pesados medos de novos fracassos, novas desilusões. O ideal pode ser utopia, mas não há nada que nos ampare a decepção do sonho, quando se revela que o ideal não pode ser cumprido.
Os sonhos perdidos lançam a sombra e ferem a luz. Sombras para o que arde em sois de negro. Revoltam-se, quando novos sonhos se assomam à vontade do criador. Os anjos caídos não gostaram da criação do Homem; os sonhos veteranos, não substanciados, revelam-se contra a imprudência de novos projectos.
E quando cai o criador?! Ele cai com os sonhos… As lágrimas do anjo noviço, de asas chamuscadas, em corrente pelo pescoço franzido que orienta a cabeça para cima, após a queda flamejante dos ninhos do céu. Vai dormir ao relento…
…agora, apetecia-me adormecer e só acordar quando renascesse a sonhar…
Andarilhus “(ªVª)”
X : V : MMVII
Lírica: Mission: Dream On
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Comments
Re: A Revolta dos Sonhos
Eu também gostava de adormecer e só acordar quando renascesse a sonhar...
Mas a vida não é só sonho. Também existem essas "realidades de obstáculos" que nos fazem crescer.
Um bom texto.
Bjs
Re: A Revolta dos Sonhos
Estás acordado!- má notícia.
a afirmação altera a posição de centralidade do texto, mas ao manter-se as estrelas, a lua...salvaguarda-se a possível harmonia planetária do ser. (a cada nova experiêncis corresponderá a 1 grau de certeza crescente)...e tua escrita é sem margem de dúvida crescer.
Re: A Revolta dos Sonhos
Um homem sem sonhos
É como coca-cola sem gaz
Cerveja sem alcool
Chocolate sem açucar
Mas será que os perdeste?
Não! Claramente não.
Pois permaneces a sonhar acordado em acordar quando voltares a sonhar.
Permaneces a sonhar nem que o unico sonho que tenhas seja voltar a sonhar.
Boa... gostei mesmo.