Se eu fechasse os olhos
Se eu fechasse os olhos, se os fechasse como se estivesse completamente com todas as coisas dentro do meu ser e depois eu fosse a árvore que escuta a alma abandonada dos homens. As palavras são como uma faca cravada nas costas do grito. Não me tires o amor selvagem, não me cales este grito que é o acordo entre mim e a revolta da terra. Se eu fechasse os olhos e ouvisse ao longe os homens que acordam em cada crença e morrem em cada linha em que a esperança torna a voz das multidões um momento ilegivel. Agora não quero os livros, não quero saber de crimes, nem do frio dos outros, agarrar as mãos ou agarrar as pedras, umas e outras que significado podemos encontrar que não seja a divisão, a distancia, a invisibilidade de termos a aparente convicção dos deuses que não podemos provar. Se eu fechasse os olhos e neste meu acto eu pudesse acender outro astro. Preciso de voltar a fazer aquela viagem, dizer-te que preciso de revelar todas as coisas que me oprimem, as outras que finjo na saudação diária dos dias. Se no fundo dos meus olhos eu me negasse poeta e atingisse o limite dos lugares comuns que são incapazes de magoar. Ser poeta é uma devoção e a devoção sacrifica a liberdade. Se eu fechasse os olhos, se o amor morresse para que a loucura fosse mais perfeita. Depois continuava a viagem, ia tranquilamente no caminho da intranquila memória do esquecimento das coisas
lobo 010
Submited by
Prosas :
- Login to post comments
- 2218 reads
Add comment
other contents of lobo
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Dedicated | Quando o sol se derrete | 0 | 3.098 | 12/27/2011 - 18:14 | Portuguese | |
| Poesia/General | Eu não sei nada | 0 | 2.148 | 12/27/2011 - 14:15 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Com fome não se faz a sopa | 1 | 2.783 | 12/26/2011 - 17:39 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Ó sol preciso dos teus raios | 1 | 1.989 | 12/26/2011 - 17:29 | Portuguese | |
| Poesia/Aphorism | Ao redor do fogo | 0 | 1.704 | 12/26/2011 - 14:50 | Portuguese | |
| Poesia/General | Atrás da porta eu fico | 0 | 1.699 | 12/24/2011 - 17:34 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Não vou ficar com a tristeza | 0 | 1.904 | 12/23/2011 - 13:48 | Portuguese | |
| Poesia/General | Como se faz a casa | 0 | 2.313 | 12/23/2011 - 10:52 | Portuguese | |
| Poesia/General | Aquece as palavras | 0 | 1.909 | 12/19/2011 - 15:03 | Portuguese | |
| Poesia/General | Esperamos a solidão | 0 | 2.022 | 12/17/2011 - 20:29 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Agora já não vou fazer planos | 0 | 2.316 | 12/16/2011 - 11:43 | Portuguese | |
| Poesia/General | Dentro das páginas | 1 | 2.625 | 12/16/2011 - 02:19 | Portuguese | |
| Poesia/General | Carta | 0 | 1.738 | 12/15/2011 - 14:36 | Portuguese | |
| Poesia/General | O mar vê-se dos teus olhos | 1 | 2.117 | 12/14/2011 - 23:41 | Portuguese | |
| Poesia/General | A cidade... | 0 | 2.319 | 12/14/2011 - 16:19 | Portuguese | |
| Poesia/General | Nós fazemos a viagem | 0 | 1.753 | 12/13/2011 - 10:50 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | O mar é o teu animal | 0 | 2.088 | 12/05/2011 - 00:08 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Na poesia do prato da fruta | 0 | 2.379 | 12/04/2011 - 23:06 | Portuguese | |
| Poesia/Aphorism | O barro moldado na transpiração | 0 | 2.798 | 11/30/2011 - 17:23 | Portuguese | |
| Poesia/Aphorism | Agora nada me está faltando | 0 | 2.871 | 11/30/2011 - 11:23 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | O velho caminho ferroviario | 0 | 3.026 | 11/29/2011 - 11:37 | Portuguese | |
| Poesia/Song | A árvore que está no meio | 0 | 2.320 | 11/27/2011 - 20:41 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | se a água corta-se | 0 | 2.137 | 11/27/2011 - 20:37 | Portuguese | |
| Poesia/General | Dá-me o teu lado inquieto | 0 | 1.989 | 11/23/2011 - 16:19 | Portuguese | |
| Poesia/General | Se tu soltares a lua | 3 | 3.544 | 11/22/2011 - 19:28 | Portuguese |






Comments
Re: Se eu fechasse os olhos
Parabéns pelo belo texto.
Um abraço,
Roberto
Re: Se eu fechasse os olhos
"Depois continuava a viagem, ia tranquilamente no caminho da intranquila memória do esquecimento das coisas"
Ler-te em embrenhar-me por labirintos, onde o tudo se encontra com o nada, e o nada é tudo o que nos faz lembrar de coisas outras e nenhumas coisas, entre todas as que esquecemos
Sempre um prazer ler-te
Beijinho
Matilde D'Ônix
Não te esqueças que há um tópico no Forum "Histórias Contadas", para escrevermos contos. Vai lá deixar a tua participação também
Publicas o conto aqui e copias o link para lá
Ok?