Ao Vento

Encontrei-te!

Entre os chapéus dos montes

E as fraldas do céu!

Perdido nas desventuras dos trilhos enfadados,

Seguindo o vento, procuro rodear o teu peito

Com meus braços e num aperto,

Liberto o rebento das fontes

De espreguiçado contentamento,

Sobre os ferozes escarpados

Dos impérios do erro e do defeito,

Na estimada demanda do acerto.

Chegaste de manso

E por casualidade.

Na troca do olhar arrebatador,

Dialoguei contigo na mudez.

Por dias de estratégia contida,

Negociámos a rendição.

Era já tua a minha vontade,

Entregue ao afecto avassalador

Deixei minha alma em nudez…

Sinto-te hesitante

Entre o querer e o receio;

Não sei se por medo ou natureza,

Regras teu sentir ao essencial,

Procurando manter

Linha estreita entre conhecido e amante.

Confuso, entre tudo e nada, vagueio,

Agarrado a cultivada certeza

De te afagar em ideal

De companhia, e tudo fazer

Para guardar meu querer constante.

Iludo-me em ser para ti sempre primeiro,

Como és para mim, fiel pensamento.

Porém, sei que nem que me vista de Sol radioso,

E pareça sóbrio e prudente conselheiro,

Ou estrela maior do firmamento,

Me deixarás aquecer-te no dia mais turbulento,

No teu casulo interior misterioso.

Muitos dias passam, sem te ver:

Morrem as cores, absorve-se a luz

No manto tingido pela saudade.

Seja este um encontro sagrado,

E renovado na vontade de vencer

A distância que a dor seduz,

Lançando o tempo sem idade,

Na partilha do SER amado!

… Quero-te tanto…

XXX : V : MMVI
Andarilhus "(ªoª)"

Lírica: This Mortal Coil: A Single Wish

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Wednesday, April 23, 2008 - 21:49

Poesia :

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Andarilhus

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Re: Ao Vento

Por vezes, a alma submetida
tomba triste
(pouco a pouco perde todo o vigor
como por invísivel ferida)
repentina a lembrança de uma vida
a que chamamos saudade.

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