Os Rouxinóis
OS ROUXINÓIS
( Caminhos e visões)
Jorge Linhaça
Havia um ninho de pássaros em uma frondosa cerejeira.Nesse ninho havia um casal de rouxinóis e um pequeno filhote
Os rouxinóis viviam felizes e sentiam-se abençoados pela dádiva de seu rebento e o pequeno rouxinol sorria alegremente quando a mãe e o pai cantavam para ele.
No entanto, em um certo dia, um grande vento veio do norte e um pequeno galho feriu a mamãe rouxinol
Papai rouxinol ficou preocupado e tudo fazia para aliviar as dores de sua amada, no entanto a rouxinol sentia-se entristecida por aquele galho haver lhe causado tal ferimento,sentia-se de certa forma incapaz de atender as expectativas do rouxinol e de seu filhote e, aos poucos, a rouxinol foi deixando de cantar
Papai rouxinol sentia falta do canto da mamãe rouxinol e também aos poucos foi sentindo o seu próprio canto enfraquecido.Continuava a voar e a fazer as coisas que precisava fazer, a buscar alimento e a cuidar de sua amada, no entanto também sentia-se entristecido.
O pequeno rouxinol sentia falta do canto dos dois mas encontrava consolo no brilho de uma pequena estrela que via ao longe e desejava em seu coração ouvir novamente o canto de sua mãezinha
Um dia, um pequeno grilo veio morar na cerejeira e ficava a cricrilar entre as folhas.Não era uma canção bela como o canto dos rouxinóis mas era a única canção que sabia.
Um dia, a mamãe rouxinol, já farta do canto do pequeno grilo, resolveu procurá-lo por entre as folhagens. Tanto procurou que encontrou e perguntou ao grilo o porquê dele cantar insistentemente e o grilo respondeu:
- Vês aquela estrela brilhante mais além no céu ??
- Sim, respondeu a rouxinol
- Aquela estrela é a luz que habita dentro de cada ser, a luz que carregamos dentro de nós é um fragmento dessa estrela.
O pequeno rouxinol ao sentir falta do canto adorável de sua mãezinha, pediu à estrela que, de alguma maneira, a sua mãezinha pudesse perceber que o seu canto, ainda que triste, lhe faz muita falta.
Foi por isso que a estrela enviou-me aqui,para que com meu canto repetitivo e pouco belo, pudesse chamar a tua atenção e fazer-te compreender que a luz que habita dentro de cada ser há de ser sempre preservada, por mais ferimentos que a vida possa trazer
A mamãe rouxinol permaneceu calada, a refletir sobre as palavras daquele pequeno grilo e a olhar para a estrela brilhante no céu. Sentiu de alguma maneira que a pequena luz que habitava em seu coração estava a ser alimentada pela estrela além.
Voltou para o seu ninho e pôs-se a contemplar o pequeno rouxinol adormecido e, enquanto assim fazia , percebeu que a face dele resplandecia, iluminada pela estrela.
Sentia-se algo insegura com os acontecimentos mas reuniu de dentro de si forças para, timidamente, iniciar o seu canto.
E ao cantar para o pequeno rouxinol, percebia que seus ferimentos doíam cada vez menos e seu canto se tornava mais forte.
O pequeno rouxinol, ao ouvir o canto da mãe, aos poucos despertou de seu sono e seu sorriso era tão encantador que foi capaz de afastar toda a tristeza que ainda havia no coração da sua mãezinha.
E dia após dia a rouxinol voltava a cantar para o pequeno rouxinol e hoje, aquela cerejeira no alto do monte parece a quem passa ao longe ter as suas raízes fincadas sobre a estrela brilhante mais além.
E quem por lá passa pode ouvir e encantar-se com o canto dos três rouxinóis e ouvir ao fundo o cricrilar de um pequeno grilo.
Arandú, 16 de julho de 2009
Submited by
Prosas :
- Login to post comments
- 1550 reads
other contents of Jorge Linhaca
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Disillusion | Quem me dera | 0 | 1.311 | 05/30/2011 - 13:00 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | Quem Diria | 0 | 1.873 | 05/30/2011 - 12:58 | Portuguese | |
| Poesia/Sonnet | Presságios | 0 | 1.496 | 05/30/2011 - 12:54 | Portuguese | |
| Poesia/Sonnet | Piratas | 0 | 2.085 | 05/30/2011 - 12:50 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Perigosa Infância | 0 | 1.574 | 05/30/2011 - 12:47 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Preocupação | 0 | 1.674 | 05/30/2011 - 12:46 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Pater Nostro | 0 | 1.752 | 05/30/2011 - 12:44 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | O Palácio da Injustiça | 0 | 1.748 | 05/30/2011 - 12:42 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Os Poemas que Não Escrevi | 0 | 1.447 | 05/30/2011 - 12:41 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Os Filhos do ódio | 0 | 1.678 | 05/30/2011 - 12:39 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Os Filhos do Abandono | 0 | 1.811 | 05/30/2011 - 12:38 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | O Último Guerreiro | 0 | 1.383 | 05/30/2011 - 12:36 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | O Show deve Continuar | 0 | 1.893 | 05/30/2011 - 12:35 | Portuguese | |
| Poesia/General | O nome do poema | 0 | 1.777 | 05/30/2011 - 12:33 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | O elogio da fome | 0 | 1.150 | 05/30/2011 - 12:30 | Portuguese | |
| Poesia/Disillusion | O Crime nosso de cada dia | 0 | 2.482 | 05/30/2011 - 12:28 | Portuguese | |
| Poesia/General | Nosso Parquinho | 0 | 1.574 | 05/30/2011 - 12:26 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Natureza | 0 | 1.593 | 05/30/2011 - 12:19 | Portuguese | |
| Poesia/Disillusion | Ontem eu Morri | 0 | 2.031 | 05/30/2011 - 12:18 | Portuguese | |
| Poesia/Disillusion | Morta Viva Severina | 0 | 1.779 | 05/30/2011 - 12:15 | Portuguese | |
| Poesia/Joy | Maria Manguaça | 0 | 1.301 | 05/30/2011 - 12:14 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | O CANTO DO LOBO | 0 | 2.231 | 05/30/2011 - 12:13 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Lavras da Solidão | 0 | 1.337 | 05/30/2011 - 11:55 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Integração | 0 | 1.723 | 05/30/2011 - 11:53 | Portuguese | |
| Poesia/Disillusion | Infância Prisioneira | 0 | 1.605 | 05/30/2011 - 11:52 | Portuguese |






Add comment