Do Dia Em Que Choveram Falos

Certo dia choveram falos,
de agastadas nuvens da lascívia,
e como antes nunca,
variância à cor nos cardumes corais,
por termodinâmicas o sobejo,
dos tamanhos a divergência da alcateia,
tenazes dentes do lobo.

Do ameno temporal da indolência,
aniquiladas divinas protecções,
porque em alpendres de cimentos crucificados,
chaves trancam-se às fechaduras,
dos laníferos nada mais,
impenetrável tosquia às chuvas.

Uns gemiam,
outros fugiam,
se alguns se enclausuravam,
quebra do vidro canonizado,
sagrados casebres ao dia de não serem.

Uns lançavam-se às tumbas,
tigres da devota secura,
rumo aos horizontes paradisíacos,
por continência eterna,
no encerramento do sarcófago,
intrusiva gota itifálica,
ardente estampa da perdição,
do vivo sepultado.

Das delícias a penetração na suplica,
como inverso de identidades,
colérico veludo ao rugido,
em gemido da brutalidade sensual,
e porque a indiferença jazia,
ontem.

Por fátuo ardente incredulidade,
arrepio ao silêncio,
rogada fogueira do orvalho,
dos estranhos o clarão das pupilas,
como inédito palpite ao inverosímil,
longas sintonias ao ruidoso.

Desnudados adornos corporais,
dos ventres,
por pilhas em revestimentos,
uma labareda do desejo,
penetrada chuva ao nu.

E porque preces chegavam,
à inexistência dos deuses,
os uivos,
quando falecidos,
os uivos,
se ausentes de atenção,
os uivos,
credos na humidade transgressora.

Porque a castidade não se fez cinto,
dissolvência temporal no desejo sanguinário,
hímenes,
rectos,
gargantas,
ao naufrágio na ébria luxúria.

Já nádegas queriam,
chicotear o chicote.

Já pulsos queriam,
algemar a algema.

Já dorsos queriam,
arranhar a unha.

Já pernas queriam,
amarrar a corda.

E porque os fluidos enchiam horizontes,
imaculada neve,
ao pico da emergência,
manto banhado à secura areal,
interjeições para gorgolejo angelical,
como precursão bramida do festim.

© BM Resende

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Lunes, Mayo 4, 2009 - 15:51

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Re: Do Dia Em Que Choveram Falos

Uns gemiam,
outros fugiam...

Espectacular!!!

Um festim bem poetado!!!

:-)

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