A menina que conhecia o mar
A menina conhecia o mar, os prados, as planícies verdes,as árvores, as flores, as plantas, os pássaros, outros animais, os riachos, o rio e a sua linda casinha amarela.
Conhecia a mulher mais bela do mundo; a sua mãe. A mais doce criatura do universo; a sua avó; o mais sábio dos sábios; o seu pai.
Conhecia a canção mais ternurenta do planeta ; cantada pela sua mãe que a afagava quando tinha sono. Conhecia as histórias mais bonitas da terra; as que a sua avó inventava. E tinha todo o tempo do mundo para criar, inventar, pensar, meditar, raciocinar com o seu pai.
E nas manhãs serenas e tranquilas acompanhava-o até á beira mar. Com as mãozitas agarradas ao seu progenitor, deleitava-se perante aquela imensidão de água azul.
E de vez em quando passava um barquito ao longe que parecia tão pequenino que ela chegava a duvidar da sua existência.
Mas o seu pai explicava-lhe o quanto os sentidos nos iludem. E falava de filosofia, das leis da física,da ciência, da matemática que ajudavam-na a entender melhor o mundo que a rodeava.
E a menina que conhecia o mar foi crescendo e saiu do seu casulo:Foi conhecendo novos mundos e tudo aquilo que implica. Foi aprendendo coisas novas, foi conhecendo a história e cultura de outros povos, foi viajando por terras longínquas; umas áridas e outras férteis, foi aplicando os seus conhecimentos de geografia, de cosmologia, de astrofísica e tantos outros saberes..
E a menina amadureceu ao ver tanto mundo e tanta coisa.
Viu e sentiu demasiado sofrimento nos povos, nas crianças, nos idosos, no ser humano..
Assistiu a muitas injustiças e desigualdades sociais. Descobriu o quão era terrível viver longe da sua terra.
E a menina que conhecia o mar sentiu-se impotente.
E pensava o porquê de o pai não lhe ter contado muita coisa.
Os porquês, as dúvidas, as angustias, o querer saber e compreender resmas de coisas. E lembrou-se novamente do progenitor e dos seus ensinamentos.
Sentia-se triste, desolada…e numa singela tarde a menina faz o seu primeiro poema. E depois outro e outro e conta ao mundo o que viu e ouviu.
E os seus poemas gritam, cantam, falam, choram, padecem, pedem aos homens, aos Deuses, ao Universo para pararem com tanto sofrimento.
E a menina que só conhecia o mar, tornou-se poetisa…. ,
Conto de Júlia Barbosa
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Comentarios
Muito bom. Gostei muito.
Muito bom. Gostei muito.
A menina que conhecia o mar
Obrigado Acácio. Há muito tempo que não vinha aqui (desde abril,-é muito tempo! e não sei porque só passado 4 meses é que aparece no meu e-mail a tua opinião sobre o conto em questão) Fico contente por saber que os meus mini-contos são lidos e que não passam despercebidos ou que dizem algo a quem os lê. Muito obrigado e um beijinho.
Júlia Barbosa