EXPRESSO DA MEIA NOITE

     Que a plebe, a massa assalariada, aplauda. Os demais podem abanar seus cartões de crédito. Situo-me na rotina do sub viver, questionando a estrutura burguesa e a retórica da felicidade aparente e não gratuita. Indo contra a corrente dos contentes como em "O expresso da meia noite"; eu posso estar preso mas o meu pensamento é livre!

     Em um mundo de interesses quem paga pelo conforto da burguesia é a massa inculta: involuntários filhos da puta, famintos. Em um mundo de interesses, quem paga pelo conforto burguês são os mesmos que padecem nas desumanas filas nos postos de saúde. A imensa legião de involuntários filhos da puta. Os iletrados, aqueles que não sabem pronunciar "twitter" ou "instagram". Aqueles que são barrados nos jantares da roda promiscua da sociedade podre e interesseira.

     E o artista? É dele a obrigação de ser "ácido" quando tentam te fazer acreditar que o mundo é doce. Quando "amor" se resume a uma estampa em uma camiseta cujo preço poderia salvar a vida de dez crianças! O que vale mais: o teu conforto nessa Roma pós moderna ou tua integridade sem ser hipócrita?

     Ciranda armada, as convenções consumistas se encontram nos saguões decorados com os troféus de caça de um dia no shopping center enquanto o mundo baila. E a burguesia roda sua bolsa enquanto espera um novo show.

     Quem é você? Nada mais do que um tijolo no muro.E o artista tenta abrir os olhos da massa. E, por isso, é considerado maldito.

      O pensamento é livre forma: nenhum muro me impede, nenhuma grade me impedirá de voar! Sem restrições e não respeitando as condições impostas, seguimos até as pontas dos fios dos pelos do coelho. Semblantes, faces, ilusões? São todas formas de um mesmo todo.

      E antes que mal me interpretem: a questão me atrai. Por isso exponho meu ponto de vista.Rude? Talvez mas necessário frente a um mundo mascarado em brilho enquanto esconde suas presas.

      Por isso me coloco fora do bloco do "leve feito pluma". E me3 abstenho dos licores da incerteza aonde é mais fácil sempre concordar. Não sou como uma sinfonia acre/doce; sou como um atonalismo, para distoar dessa sequencia lógica de acordes conformistas.

      Se sou azedo? Sou sim. Mas é preferível ser assim em meio a esse festival de doces pré fabricados e tão verdadeiros quanto minha ultima vírgula. Talvez minha essência libriana esteja em baixa e meu lado cão de metal assumiu os controles momentaneamente. Quem sabe?

     Talvez um dia eu consiga escrever tão bem a ponto de descrever em suaves linhas a dureza da existência até ela parecer leve? Quem sabe? Todos somos formas moldáveis.

     Dizem que o ser humano a tudo se adapta. Eu discordo! Ele não se adapta a uma coisa: a saudade!

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Jueves, Septiembre 5, 2013 - 11:53

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