CRONICA - A MONARQUIA DO CAMAROTE

E aqui estamos nós e nossos sorrisos emoldurando os perfis, os cases de sucesso, as histórias de conquistas, os gráficos ascendentes em um deserto de originalidade e um festival de decadência!

Escrevo isso com a certeza que muitos torcerão o nariz e sequer chegarão ao final ou então, não passarão deste ponto. Não faço parte do circulo da moda, dos "indie writers" escolhidos dentro do contexto da geração "eu vivo bem e quero mais que o resto é que se foda!". Apenas gosto de escrever e observo as coisas ao meu redor. Quanto a gostarem ou não do que eu escrevo: este é um país livre, até que se prove o contrário.

É assim, nesse ambiente que surgem figuras tipo o "rei do camarote". Mas, não se engane se achar que isso faz parte, apenas, de um tipo isolado em uma determinada classe social. Os aspirantes a essa babaquice estão espalhados em todos os lugares e proliferam no mundo virtual.

Trata-se de uma atividade comum: junte os detalhes contidos na observação dos tipos que circulam pela rede: a aparência vale muito mais do que a essência. Cada um se vende como pode. Se alguém não gostar, é acusado de hipócrita e/ou invejoso. Não há lugar para discordância ou então, para bom senso. O único bom senso é o de que - quanto maior a adulação o seu ego será inflado e assim, mais pontos você poderá contar na trajetória daquilo que se convencionou chamar de "sucesso".

Não falo aqui sobre os artistas que necessitam mostrar seus talentos ou, muito menos, sobre quem quer apenas aproveitar o encurtamento das distâncias possibilitado pela tecnologia aplicada. Falo sobre a nova geração burguesa, os deslumbrados, da geração vazia que circula dentro da fantasia romanesca aonde o sentido de "ostentação" está presente em cada linha compartilhada. É a prostituição disfarçada em perfil, a condição absoluta do sentido egoísta das vidas vazias dedicadas ao culto da personalidade.

Essa é a ideologia contemporânea mais em voga: dinheiro como pré-requisito de felicidade; ambição desenfreada; egoísmo e a necessidade patológica de adulação. Não se trata de atenção: trata-se de viver uma vida vazia aonde o TUDO e o TODO devem estar contidos na sua roupa, na demonstração de indiferença e frigidez. Sim, e meus amigos, essas não são qualidades! Talvez para algumas pessoas possa até ser. Talvez algumas pessoas até se vangloriem disso como tal. Mas, o fato é que quem disso faz seu modo de vida nada mais é do que um pedaço de carne pronto para ser consumido e depois descartado no lixo do esquecimento.

No novo palácio de Versalhes, no resíduo virtual de suas almas vazias, a pseudo nova nobreza, a monarquia do camarote, enche sua pança enquanto arrota a predileção pelo fútil . A ideia torta de quem se acha inteligente quando, na verdade, segue as mesmas ideologias falsas da massa que se aperta em ônibus superlotados e hospitais imundos que mais parecem matadouros. A diferença é que a ralé recebe isso diariamente, ao vivo, pela tv aberta enquanto que os monarquistas de camarote se deleitam em seus canais por assinatura.

Nesse cenário, os incautos, os iludidos, os imbecis incapazes de raciocinar assimilam somente a parte que lhes convém: "preciso disso para ser como ele.", " quero ser assim.", "ele tem e eu tenho de ter". Privando-se da lucidez voluntariamente. O indivíduo apenas engole a mensagem subliminar, o imperativo de "compre", "apareça".

O culto do egoísmo, do exibicionismo gratuito e automático, os reis não passam de bobos da corte, e as rainhas são apenas prostitutas enfeitando-se para o deleite da plateia formada pelos imbecis que a eles sustentam.

E você? Que tipo de personagem você é nessa história?

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Lunes, Noviembre 11, 2013 - 17:16

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Daniel Kobra

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