Vertedouro de versos
Os dedos estão loucos
Não param de mudar os canais.
Os olhos lacrimejam
Um cansaço inesgotável de tanta curiosidade e ansiedade.
Os versos estão nos dias
Nas noites, no frio
Na triste partida, na alegria ausente...
Que ausência?
Que sentimento é este?
A cada dia crio um sentimento novo,
Mas sempre esqueço de patenteá-lo.
Agora só vejo uma sombra triste
Sobre o papel atrapalhando o movimento da caneta,
Que no escuro se perde.
Assim, perde-se também a vontade de refletir.
As lembranças dizem adeus.
A vontade de viver e ver coisas novas
Perde a vontade de ver e viver coisas novas.
Tudo é previsível
Tudo se iguala.
O meu rosto sempre muda
Os meus versos sempre se distorcem
E não dizem nada.
Sonhava em ser um vertedouro de versos!
Num imenso reservatório estancado
Para movimentar a usina de poesia,
Mas percebi que isso não é realidade.
O que é real?
O que é normal?
Estar sentado buscando de alguma forma valorizar-me escrevendo algo
Que só serve para mim?
Que estranho suplício de tentar passar para frente
O que está doido para se esconder
Numa timidez do meu próprio “eu” absurdo?
Sou mórbido porque a morbidez me mobiliza
Me prende
Me tortura.
Apago a luz do meu quarto vazio
Para acender os meus olhos.
Peço-lhes desculpa por me desculpar,
Estou e sempre estarei sem estar.
Vocês pensarão se pensar vale à pena.
Não se preocupem comigo,
Sou leve e vôo com o ar.
.....................................................
Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
praia que nunca atingirão os panos lacerados.
(Lord Byron)
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 870 reads
Add comment
other contents of FranciscoEspurio
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/Meditación | Forte fraqueza | 0 | 1.124 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Intervención | O outro | 0 | 1.266 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Ilusão | 0 | 783 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Volátil | 0 | 996 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Pasión | Volúpia | 0 | 1.353 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Intervención | A crença | 0 | 1.397 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Flerte com o suicídio | 0 | 810 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Niki tis Samothrakis | 0 | 993 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O Devasso | 0 | 1.330 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Recôndito | 0 | 973 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O cintilar das estrelas | 0 | 1.021 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Efêmero | 0 | 827 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Última visão | 0 | 1.210 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | A velha arte | 0 | 1.275 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Uno | 0 | 1.466 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Brisa do lago | 0 | 1.068 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Lamúrias de um soldado | 0 | 1.198 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Bebê de Ferro | 0 | 1.210 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Kursk | 0 | 1.205 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O fim da estrada | 0 | 1.007 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O Intrépido Alvaresiano | 0 | 1.080 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Amor | Ana | 0 | 1.066 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Censura | 0 | 1.117 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Breve canoa | 0 | 1.042 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Croqui | 0 | 1.276 | 11/19/2010 - 18:09 | Portuguese |






Comentarios
Re: Vertedouro de versos
Excelente
Tanto que poderia destacar
"Tudo é previsível
Tudo se iguala.
O meu rosto sempre muda
Os meus versos sempre se distorcem
E não dizem nada.
Apago a luz do meu quarto vazio
Para acender os meus olhos.
Peço-lhes desculpa por me desculpar,
Estou e sempre estarei sem estar.
Vocês pensarão se pensar vale à pena.
Não se preocupem comigo,
Sou leve e vôo com o ar."
E se um verso não diz nada...já as lágrimas dirão tudo, mas no escuro...no escuro elas irão procurar um caminho que desague na foz de um sonho
Fabuloso, adorei
Abraço
Re: Vertedouro de versos
Lindo poema.
Gostei.
Um abraço,
REF
Re: Vertedouro de versos
LINDO POEMA, GOSTEI1
COMO TUDO PASSA, ESSA FASE TAMBÉM PASSARÁ E CHEGARÁ O DIA EM QUE AS POESIAS CAIRÃO DO COLO DE SEU PERSONAGEM, PARA NOS ENCANTAR COM BELAS E NOVAPOESIAS!
um abração,
MARNE
Re: Vertedouro de versos
Francisco
parabéns pela poesia soberba cheia de ditos e contraditos!
Lindos versos feitos com criatividade e mestria na fonte chama da poesia:
"Apago a luz do meu quarto vazio
Para acender os meus olhos."
Um abraço :-)