Chuva

Chuva

Deixo voar o pensamento
num constante alheamento.
Será contentamento?
Não. Antes um sentimento.

Cai uma chuva miudinha,
tal como muita gente,
que se presta facilmente
a favores,
esperando louvores
de gente mesquinha.

Cai uma chuva intensa,
vergando a natureza,
tal como muita gente
que se curva, humildemente,
a seres prepotentes,
aguardando, pacientemente,
o sinal de dispensa.

Cai uma chuva nervosa,
tal como muita gente
que percorre loucamente
a via sacra da vida.

Cai uma chuva enamorada,
tal como muita gente
que se apodera, sofregamente
da coisa amada.

Cai uma chuva abençoada,
do céu e das estrelas.
Por vezes azulada
Outras, dourada.

A natureza agradece.
O cheiro enternece.
A gente permanece
agora libertada
de todos os favores.
Agora recusando
todos os louvores.

Deixei voar o pensamento
fixando o firmamento…
Será encantamento?
Não. Antes enamoramento!


OF 15-04-2010
 

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Sábado, Marzo 19, 2011 - 22:22

Poesia :

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Odete Ferreira

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Comentarios

Imagen de Patrícia Taz

Querida Odete,

 

Cai a chuva enfadada

tal como muita gente

acha quedaqui p'ra frente

é preciso usar espada

 

Intervenção num encadeamento interessante em desfacho brando

Bjo

PaTaz

Imagen de Odete Ferreira

Chuva

Obg, amiga, pela leitura e comentário...

Adorei o acrescento, um desafio interessante!

O desfecho é, de facto brando; faço associaoes/divagações mas, frequentemete o final remata o inicial!

Bjos :)

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