Liberdade sem festa

Liberdade sem festa

Sopro de luz.
Claridade estonteante.
Sorvo-te, como aspirante
a um outro estado,
deambulante…

Em relva estendida,
inerte,
cubro-me desta luz
tão brilhante.
Quente.
Gozo a plena liberdade!

Sou dona deste momento.
Sou dona deste estar…
Em Abril, distante
impensável seria
ser dona deste pensar.

A luz de Abril
em 25, ocorrida,
talvez houvesse chuvas mil…
Apenas recordo
cravos aos molhos
agitando a meus olhos
um vermelho
tal seara de papoilas
ondulantes
de brisa suave…
E balões
e canções
de ritmos inocentes
desmedidos…
E prisões
a abrir
e abraços a sorrir.
E pessoas
apressadas
em chegar
ao seu país
sem nariz
de pinóquios…
Essas chegaram mais tarde
Subrepticiamente,
embrenhadas
em teias tecidas,
por mim ignoradas.

E famílias aliviadas,
outras preocupadas.
Destas tenho pouca memória
(já seria revolucionária),
sem culpa, era tão só
uma cachopa
a sentir deslumbramentos
a afirmar uma maioridade
coincidente…
Liberdade
e liberta
a assumir responsabilidade
do meu eu
e a fluir identidade
em território que já era meu.

E cordões humanos,
unidos,
entrosados,
em abraços
de ilusões
e comícios
e manifestações
e palavras emocionadas…

Hoje, que não há festa,
faz sentido, estar alerta.
Mas a luz que nos ilumina
só se empresta
a outros,
temporariamente…
Depois, regressa
a este país, sua pertença!

OF 25-04-2011

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Lunes, Abril 25, 2011 - 17:20

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Odete Ferreira

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