Abre os olhos, fala comigo
Em memória do meu pai que faleceu a 01-11-2001
Só acreditei quando vi a vela em chamas
e flores mortas para colorir o luto por ti
Sufoquei ao perceber que jamais acordavas
deixaste-te adormecer pelo último sono de um qualquer mortal.
Gritei com raiva ”insanamente”, mas cada palavra que dizia
fugia, arrastada pelo forte vento que se sentia.
E ninguém me ouvia,
Corri com toda a força,
sem destino nem direcção, pressionado por um impulso
para o qual não encontro explicação.
Talvez síndrome de uma esquizofrenia,
talvez a única forma de aceitar
e libertar toda a raiva e dor alojada em mim.
A sala parecia um jardim, com um odor intenso
que ate hoje não consigo esquecer.
Tu em pinho e linho deitado, fato axadrezado
e embalado num sono sem fim.
Abre os olhos, fala comigo,
peço-te baixinho, mas nada.
Pego-te na mão, e conto-te todos os meus segredos,
peço ajuda para enfrentar todos os meus medos.
Peço desculpa pelo homem que sou.
Dou-te o abraço que nunca dei.
E despeço-me angustiado
com um beijo em testa fria
que me gela os lábios
e deixa o sabor amargo
do ultimo adeus
da tua partida
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