Amor de Rendas

Ele queria saber se eu estava apaixonada.
Aquela pergunta me fez tremer como se meu próprio corpo fosse tambor em contato com suas palavras baquetianas¹.
Eu tentava fazer com que ele respondesse ao menos a maioria de minhas perguntas e é claro que eu, na grande parte do tempo, me esquivava das dele. A certo ponto ele percebeu. Percebeu e não me cobrou respostas, como geralmente eu fazia, eu tinha medo, pois para mim me parecia que ele estava se apaixonando...
E eu? Desta vez fui eu mesma quem me perguntou. Ao fazê-lo me fechei. Certas horas eu tinha tanto receio que ele pôde notar a tristeza em meu olhar. Não, não era reflexo.
Então tornou a me questionar acerca de paixão, agora se eu gostaria que ele estivesse apaixonado por mim. De quê adianta querer ou não querer? O problema é o que se faz dela. Eu ainda não o conheço bem para saber o que faria, mas o palpite margeia a moral e bons costumes. Ele também foi programado, talvez seja muito tarde para mudar. Mas uma coisa é certa, é cedo para tal assunto e penso que talvez seja isso o que incomode na paixão, quando ela acontece é tudo muito cedo, quando ela vai embora as coisas ainda são novas.
Nenhum homem me tratou como ele. Talvez tenham até tentado, mas eu nunca notei, será que de fato fui eu quem fechei meus olhos?
Não, ele não estava se apaixonando, estivera encantado somente e foi isso o que me afastou em olhar, todos sempre se encantam. Odeio generalizar, mas por que eu deveria ser mais coerente justo com ele? O menos provável de dar certo!
Ele disse que me adora, não tive coragem nem de dizer que eu também...
Eu mostrava sim minhas fraquezas... Estar ali era uma fraqueza... Será que aquilo era se apaixonar?

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Tuesday, September 8, 2009 - 22:16

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