Pensamentos dela

Talvez, à noite, quando a hora finda
Em que eu vivo de tua formosura,
Vendo em teus olhos... nessa face linda
A sombra de meu anjo da ventura,
Tu sorrias de mim porque não ouso
Leve turbar teu virginal repouso,
A murmurar ternura.

Eu sei. Entre minh'alma e tua aurora
Murmura meu gelado coração.
Meu enredo morreu. Sou triste agora,
Estrela morta em noite de verão!
Prefiro amar-te bela no segredo!
Se foras minha tu verias cedo
Morrer tua ilusão!

Eu não sou o ideal, alma celeste,
Vida pura de lábios recendentes,
Que teu imaginar de encantos veste
E sonhas nos teus seios inocentes!...
Flor que vives de aromas e luar,
Oh! nunca possas ler do meu penar
As páginas ardentes!

Se em cânticos de amor a minha fronte
Engrinaldo por ti, amor cantando,
Com as rosas que amava Anacreonte,
É que alma dormida, palpitando...
No raio de teus olhos se ilumina,
Em ti respira inspiração divina
E ela sonha cantando!

Não a acordes contudo. A vida nela
Como a ave no mar suspira e cai...
Às vezes, teu alento de donzela
E de teus lábios o morrer de um ai,
Tua imagem de fada, num instante
Estremecem-na, embalam-na expirante
E lhe dizem: "sonhai!"

Mas quando o teu amante fosse esposo
E tu, sequiosa e lânguida de amor,
O embalasses ao seio voluptuoso
E o beijasses dos lábios no calor,
Quando tremesses mais, não te doera
Sentir que nesse peito que vivera
Murchou a vida em flor?

Submited by

Tuesday, April 14, 2009 - 00:37

Poesia Consagrada :

No votes yet

AlvaresdeAzevedo

AlvaresdeAzevedo's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 15 years 10 weeks ago
Joined: 04/13/2009
Posts:
Points: 303

Add comment

Login to post comments

other contents of AlvaresdeAzevedo

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Fotos/Profile Alvares de Azevedo 0 2.228 11/23/2010 - 23:37 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo IV — Gennaro) 0 2.472 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo V — Claudius Hermann) 0 2.789 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo VI — Johann) 0 2.140 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo VII — Último Beijo de Amor) 0 1.701 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Macário - Introdução 0 1.637 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Macário - Primeiro episódio 0 1.371 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Macário - Segundo episódio 0 1.428 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Sombra de D. Juan 0 1.519 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Na várzea 0 1.399 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General O editor 0 1.680 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Oh! Não maldigam! 0 1.866 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Dinheiro 0 1.567 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Adeus, meus sonhos! 0 1.614 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Minha desgraça 0 1.753 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Página rota 0 1.493 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo I — Uma noite do século) 0 1.717 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo II — Solfieri) 0 2.335 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/Tale Noite na Taverna (Capítulo III — Bertram) 0 3.365 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Panteísmo 0 1.314 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Desânimo 0 1.426 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General O lenço dela 0 1.504 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Relógios e beijos 0 1.743 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Namoro a cavalo 0 1.878 11/19/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia Consagrada/General Pálida imagem 0 1.477 11/19/2010 - 15:52 Portuguese