A Filha de Maria Angu– Ato primeiro - Cena IX

Cena IX

Bitu, Sampaio

Bitu - Separaram-se finalmente! Que amoladores serão estes?

Sampaio (Consigo.) Não sei por onde hei de principiar...

Bitu (Consigo.) - Que grande maçante!

Sampaio (Consigo.) Ora! pelo dinheiro! (Dirigindo-se a Bitu.) Não é o célebre redator do acreditado periódico o Imparcial, ao Doutor Ângelo Bitu que tenho a honra de...

Bitu - O próprio, menos o Doutor: não passei dos preparatórios.

Sampaio (Amável.) - Aceite minhas felicitações; sou entusiasta pelo seu talento... admiro os seus bonitos artigos...

Bitu (À parte.) - Apanho uma assinatura!

Sampaio - Apontar os abusos, desmascarar os intrigantes, difundir a instrução é muito bonito, é muito louvável, é... Mas o senhor tem sido muito injusto com um cidadão conspícuo, pai de três filhas solteiras, que é constantemente injuriado nas colunas do Imparcial.

Bitu - De quem se trata?

Sampaio - Do subdelegado desta freguesia. O senhor não o conhece...

Bitu - Não o conheço de vista, mas sei que é um refinado tratante!

Sampaio (Gritando.) - Senhor Bitu! (Vendo o Escrivão que espia ao fundo.) Vá embora! não há novidade! (O Escrivão desaparece.) O senhor sabe com quem está falando?

Bitu - Não tenho a distinta...

Sampaio - Eu sou o subdelegado!

Bitu - o Sampaio?! ... Ah!Ah!...

Dueto

Bitu - Pois quê! é o Subdelegado?

Sampaio - Sim, senhor: Subdelegado!

Bitu - Eu não tinha imaginado

Encontrá-lo agora cá!

Ah!ah!ah!ah!ah!ah!ah!

Sampaio - De que ri, não me dirá?

Bitu - Eu não ligava o nome...

Sampaio - Eu cá não me constranjo

Para propor-lhe um bom arranjo:

É matar o Imparcial,

Suprimir o seu jornal!

Bitu (Altivo). - Nem quero responder!

Sampaio (Á parte.) - Tratante, eu cá te entendo!

(Alto.) Se um bom conteco eu lhe oferecer?

Bitu (Com dignidade) - Então, quer me comprar? Senhor, eu não me vendo!

Sampaio - Pois bem! Dois contos! quer!

Bitu - Senhor!...

Sampaio - Então três contos, sim?

Bitu - Três contos...

Sampaio - Está dito?

Bitu (À parte.) - Três contos, safa! Um bom dote é bem bonito.

E não tem tanto o Barnabé!

Sampaio (À parte.) - Oh! Que bom! ele hesita! (Alto.) Eu já propus até

Três contos!

Bitu - Não!

Sampaio - Dou quatro!

Bitu - Não há meio!

Sampaio - Pois bem! pois bem! eu dou-lhe quatro e meio!

Bitu - Não! Eu quero inda mais!

Sampaio - Eu generoso sou.

Pois arredondo as contas e cinco dou!

Bitu - Cinco contos?

Sampaio - Pegou?

Bitu - Sim! aceito os cinco contos!

Sampaio - E o seu jornal acabará?

Bitu - O meu jornal acabou já!

Sampaio - E o senhor sai daqui?

Bitu - Já tenho os baús prontos!

Quero ser pago já e já!

Sampaio - Em minha casa o cobre está!

Juntos

Bitu Sampaio

- Sim senhor, fiz bom negócio - Sim senhor, fiz bom negócio

- Vou viver em santo ócio! Co’este grande capadócio!

Cinco contos eu ganhei! Cinco contos eu gastei,

Sou mais feliz que um rei! Porém melhor viverei

Brevemente estou casado! Posso agora sossegado

Viva o S’or Subdelegado Ser um bom Subdelegado!

Viva, viva o meu jornal! Morra, morra o tal jornal!

Viva, viva o Imparcial! Morra, morra o Imparcial

(Sampaio sai)

Submited by

Wednesday, April 15, 2009 - 22:15

Poesia Consagrada :

No votes yet

ArturdeAzevedo

ArturdeAzevedo's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 15 years 14 weeks ago
Joined: 04/15/2009
Posts:
Points: 450

Add comment

Login to post comments

other contents of ArturdeAzevedo

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XX 0 899 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Introdução 0 1.050 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena I 0 952 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena II 0 901 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena III 0 940 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena IV 0 1.192 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena V 0 1.535 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena VI 0 732 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena VII 0 864 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena VIII 0 794 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena XIX 0 592 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre A Pele do Lobo - Cena X 0 753 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Nova Viagem à Lua - Intodução 0 839 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena VI 0 862 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena VII 0 836 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena VIII 0 644 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena IX 0 663 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena X 0 656 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XI 0 620 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XII 0 614 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XIII 0 895 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XIV 0 848 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XV 0 1.000 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XVI 0 883 11/19/2010 - 15:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Theatre Uma Véspera de Reis - Cena XVII 0 782 11/19/2010 - 15:53 Portuguese