A Jóia - Ato Segundo - Cena III

Cena III

Carvalho, só

- Seis contos! seis contos! Irribus!

É mesmo muito dinheiro!

Trabalho um semestre inteiro

para seis contos ganhar,

e devo sem mais preâmbulos

gastá-los com Valentina?

Sai muito cara a menina;

não devo continuar...

mas serei bastante enérgico

pra fugir desta voragem?

Bater a linda plumagem,

ir para junto dos meus?

Lembrar-me dos meus negócios?

dos meus compromissos tantos?

de Valentina aos encantos

dizer pra sempre adeus?...

Seis contos! São seis apólices

pra garantir o futuro:

de cinco por cento ao juro

hão de trezentos render!

No fim de quinze anos, chega-se,

com juros acumulados,

a ter dez contos guardados

para o que der e vier.

Seis contos! compra-se um prédio,

que se aluga a dez por cento!

E, afinal, num bom momento

dez contos por ele dão!

Cinco bons escravos mandam-se

vir do Norte de encomenda,

que, a trabalhar na fazenda,

vinte por cento darão!

Eu bem sei que a jóia, cáspite!

por seis contos não ‘stá cara;

é de uma beleza rara:

o homem no preço está.

Of’reci-lhe uma miséria,

e muito acertadamente;

por quatro contos somente

jóias dessas ninguém dá.

(Senta-se na poltrona junto da secretária e fica a meditar com a cabeça entre as mãos e os cotovelos fincados nas coxas. Aparecem à porta da esquerda, segundo plano, Valentina e O Joalheiro, que não são pressentidos por Joaquim Carvalho.)

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Wednesday, April 15, 2009 - 23:39

Poesia Consagrada :

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ArturdeAzevedo

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