Arquiteto supremo

As portas não foram trancadas!

O esplendor ainda nasce
Das ruínas magníficas deste estranho museu
Mesmo quando as mãos da natureza
Forçaram cerrar as portas de sua sublime arquitetura.

Sempre estiveram abertas!

São obras que caracterizam uma época e um povo,
Por isso nossos olhos são bocas ávidas para que possamos nos alimentar desta beleza.

São imagens que não fogem de nenhum olhar
E que transformam-se num teatro vivo,
Quando o espetáculo de suas pedras, linhas férreas, oficinas, rotunda...
Anunciam a eterna peça ao vivo
Para os que passam na “pequena grande cidade” de Ribeirão Vermelho.

Ribeirão é história
É monumento,
É linha ferroviária,
É o dom supremo da arte de construir
É o Deus das ruínas que ficam mais belas com o tempo.

Sua artéria de ferro ainda pulsa forte quando os trens em seus vagões
Levam sangue de minério para alimentar parte do corpo deste país.
É o Ribeirão Vermelho do Rio Grande!
A antiga estação tem a sensualidade de uma dama vaidosa
Que mesmo velha empunha a sedução de sua antiga arquitetura divina
Para se defender do temperamental tempo.
Ao centro se destaca a grande nave, a grande rotunda triste e solitária.
Gosto de admirar a sutileza de seus contornos,
Mas tenho medo de acordá-la deste rubro e caloroso sono.

Quero-a assim, com uma leve mistura de natureza e homem,
Nada mais tênue que sua força estática.
Só penso em compará-la com as fotos em preto e branco de minha mente:

Ela um dia foi o progresso sob a serra, nas margens do rio,
Agora é mais do que isto, porque é a vitória alada viva num sono angelical.

Você tem o direito de sonhar já que enfrentou sem medo as enchentes vermelhas,
Enxurradas de dor choradas pelo grande rio.

Perco-me ébrio,
Às vezes caio no passado
Às vezes caio no presente
E luto para não cair no futuro.

O passado são anos, são números esquecidos pela memória dos que se foram...
Então, em algum ponto da época pretérita nasceu o bebê de ferro.

Um grande pai, cuja essência é pura água, desceu pela Mantiqueira
Para fecundar a mãe natureza e gerar esse filho.
São águas que nascem a cada segundo, minuto, hora, dia, semana, mês...
Numa corrida louca do equilíbrio da grande deusa
Num amor frenético de sustentabilidade.

Pedras de alicerce que respiram resistência,
Tijolos brutos que sustentam um ao outro,
Telhas inigualáveis e de uma França amiga.
Rotunda de sonhos, rotunda de antigas brincadeiras de posicionar trens,
Oficinas de curas milagrosas das máquinas enfermas,
Malha de ferro que alimentam o sonhar levando-nos para longe.

Enfim, apesar de não haver fim:
Sou, você é, somos todos nós “a grande estação”.

Se olho, penso e escrevo, então tenho o poder de atrair o espectro
Que desistiu do progresso para descansar nas lágrimas dos olhos.

Ocultada sinergia do gigante.
Foi arquitetada e hoje é o seu próprio arquiteto supremo.

Ao meu irmão Cassiano.

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Wednesday, December 16, 2009 - 22:57

Ministério da Poesia :

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