VERSOS DE ADEUS

Lágrimas
são o orvalho da alma,
uma melancolia asilada em sílabas
de um poema que chora dentro de mim.

Sou canoa
lançada grito à madrugada.

Desgraçada ânsia
que em mim brame versos de adeus.

Adormeço
no leito de um rio revolto
onde envelhece o luar tristemente.

Olho-me
como alguém que já em nada crê,
como alguém que já não permanece
nas claridades da sua própria imagem.

Chovem
no meu rosto
labaredas de infinito
gasto por cruéis soluços de esperança.

Sonhos envenenados
pelo sono profundo dos meus lábios.

Secam as flores
ao colo da saudade
que em mim mora solidão eterna.

Falo-me verbo de dor
na pedra escrita de trovas amargas.

Luares de fel
murcham na minha boca
as palavras lânguidas do tempo.

Tomba a imensidão
do mar num silêncio inerte
no pranto frio do meu solo.

Entoam sombras
sobre o meu corpo tatuado
de pesadelos em ecos de insónia.

Atormenta-me o amor
no oco da espera vil que viça
as distâncias do meu olhar.

Vejo-me no espelho céu cinzento.

Tempestade de mim mesmo
amordaçado à fadiga dos dias mudos
e de nudez apressada.

Repouso os meus suspiros
no vento ancorado à luz dos pensamentos.
 

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Wednesday, January 12, 2011 - 00:34

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