Clamo (Vladimir Maiakóvski)

Levantei-me como um atleta,
levei-o como um acrobata,
como se levam os candidatos ao comício,
como nas aldeias se toca a rebate
nos dias de incêndio.
 

Clamava:
“Aqui está, aqui! Tomai-o!”
Quando este corpanzil se punha a uivar,
as donas
disparando
pelo pó, pelo barro ou pela neve,
como um foguete fugiam de mim.
 

- “Para nós, algo um tanto menor,
algo assim como um tango...”
Não posso levá-lo
e carrego meu fardo.
 

Quero arremessá-lo fora
e sei, não o farei.
Os arcos de minhas costelas não resistem.
Sob a pressão
range a caixa torácica.

 

Wladimir Maiakóvski (1843-1930), reconhecido como maior poeta russo moderno.

Tradução de Haroldo de Campos

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Friday, January 14, 2011 - 11:28

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