QUERO MORAR NOS TEUS OMBROS


Imaginar despir-te
é um inventar de emoções novas.

Depois de nua,
olho-te da cabaça aos pés escrevendo romances
que servirão de refeição de gala aos Deuses do Olimpo.

Romances com palavras que desconhecia
antes de ver tamanha beleza.

Enquanto te olho perco o porto dos meus olhos.

O meu olhar fica à deriva pelo mar do teu corpo.

Não quero apenas olhar, quero tocá-lo.

Quero que o meu corpo
seja lua cheia sobre as marés desse mar
onde a noite é uma ilha no esplendor do teu ser.

Quero morar nos teus ombros,
reinventar o tempo.

Fazer do teu sorriso canoas arrastadas
pelas correntes quentes do meu fôlego.

O teu cabelo são prados
por onde as minhas mãos pássaros
voando a fertilidade dos teus perfumes.

Beijo-te o pescoço ao de leve,
encontro o norte para chegar ao pedestal da boca
com os meus lábios resumidos em sol louco.

Paro, ouço o teu respirar arder
nas minhas fogueiras interiores.

Deixo que deambule a minha paixão
sobre o esbeltado dos teus seios.

Onde pairo libertino como um vento
se apodere de todos os recantos de uma praia.

Espreito
pelos teus olhos adentro,
caindo numa imensidão imensa
qual infinito fosse a fronteira deste sentir.

É eterna a juventude
que abastece os tons macios da tua pele.

A cada movimento que tu faças,
misturam-se noções de realidade e ilusão.

Olhar é apenas perfeito, tão perfeito quão tu.

Tão perfeito que posso jurar saber
todos os teus desejos mais ínfimos.

O próprio silêncio
é uma forma natural de te amar desalmadamente.

Quero ser o movimento dos teus olhos.

Estar no teu momento de amor.
 

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Sunday, March 6, 2011 - 22:36

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Henrique

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