Segunda Tirada

Rimas desanuviam neste meu mar de atracções
construo um mundo só meu, cada vez mais próprio
ópio mental que me vicia sem dosear a injecção
idealizo um habitat onde me sinta em perfeita harmonia
um sorriso, um batuque, incenso e vocês de mãos dadas
malfadadas vidas proibidas por preconceitos inconscientes
cientes de que irão certamente poluir espíritos dessa forma
electrónica vivência irradiou a pureza orgânica humana
afónica verdade calou-se para dar aso à pérfida mentira
retira a essência daquilo que sentes e guarda no teu baú
de lembranças e recordações senão acabas vazio de memórias
não quererás ser um espectro escuro e vão nestas ruelas
cruéis e falsamente belas se insinuam a quem lá passa
como prostitutas à espera de massa para abrirem bordéis
física quântica não explica o fenómeno da artificialidade da sociedade
advém das montras, da vaidade, da falta de opinião pessoal
o tiro sai pela culatra a quem me quer ver pelas costas
amostras de gente que cultivam o ódio em campos simpáticos
linfáticos vasos alojam sangue venoso e escuro te alimenta
a interligação astrais que compõem este puzzle da população
é barrada a hipocrisia, apimentada com inveja e devorada com maldade
é este o trecho que dedico à minha urbe que observo da persiana
metrópole agitada Famalicão terra de amigos que não se falam
não se amam, não se abraçam, não se elogiam mutuamente
é a terra do terror tirada duma película cinematográfica
gráfica descrição que aqui vos deixo em forma de legado
numa primeira e ultima rima que faço aqui, a todos, muito obrigado!

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Tuesday, June 7, 2011 - 01:33

Poesia :

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