DOCE PIANO DO ÚLTIMO ADEUS


Silêncio cheio de silêncio.

Este é o ruído perfeito para te dizer adeus.

Aceno de tanto por viver,
será este o último gesto do meu acontecer.

Se pelo menos o meu coração em ti tivesse um lar,
eu já não quereria continuar morto.

Cantei o que não pude dizer.
Esqueci o que não pude tocar.
Apressei-me mergulhar em olhos lindos.

Mas anda na minha poesia esta música de morte,
a minha carta de amor para ninguém.

Já não suspiro por canções melhores.

Já está composta,
tocada e dita a minha última canção.
Cada pensamento é música que escrevo,
cantada em despedida, auscultada em dor.

Todos os meus poemas são desejos para a noite,
todos eles são os meus beijos de amor,
a minha saudade.

Escrevi-os em solidão para o eclipse,
em paixão para as musas.

Morri para a beleza, a flor que está no jardim
plantada pelos meus sonhos.

Criei mil reinos, cheguei à sabedoria.
Mas falhei quanto tentei me tornar um deus.

Se leres esta linha não lembres da mão que a escreveu.

Pois essa mão agora está sepultada
com o tempo que não tivemos.

Lembra-te apenas do verso que te fiz em sorriso,
do choro do criador desta música, o choro sem lágrimas.

Imagina que estou num lar confortável,
no colo de uma mãe.

Num poema de imortalidade onde amar
tornou-se uma emoção que eu nunca conheci.

Doce piano que escreves a minha vida,
ensina-me a paixão. Mostra-me o amor.

Muito mais, foi o quis eu dar aos que me amaram.

O tempo irá dizer este adeus amargo, lamento.

Sou uma alma solitária, oceânica.

Adeus.
 

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Saturday, June 18, 2011 - 13:51

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