Vagas moribundas

Mar que me perdes
No rumo incerto das barcaças
Encrespadas num murmúrio
véus negros no areal
Quero-te o engenho que me é sorte, a rudeza do olhar que me ilumina os teus regressos
Mar que me perdes
Grandiosa noite de espuma altar de preces ancestrais
Sobre um túmulo de gaivotas
Teu corpo embalsamado
Acendo uma fogueira na praia e mato a mentira em que me afogo
Parto ostensórios, renego deus, blasfemo, rogo pragas, amaldiçoo a cruz de Cristo, enterro sextantes e astrolábios…
A mentira é o regresso que mato…porque ao mar deste teus lábios
Envergonho-me deste vazio que deixas-te para nos salvar
Atravesso praias de joelhos no luto de te encontrar
Foste para sempre perder a vida
Que no mar ias ganhar
Rima a morte
Nunca mais
Vagas moribundas

Mar que me perdes
No rumo incerto das barcaças
Encrespadas num murmúrio
véus negros no areal
Quero-te o engenho que me é sorte, a rudeza do olhar que me ilumina os teus regressos
Estou só
No molhe onde atracavas
Planto amores-perfeitos na água
A minha cerimónia eterna
É vender terços na praia
Enquanto olho já docemente na cornucópia do horizonte um oceano de lágrimas azuis
Está perto a hora do reencontro na rebentação viva das ondas
Meu amor do mar, que me perdes.
Meu amor que ao mar perdi.

*À gente das Caxinas... e a todos que buscam a vida no mar.

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Martes, Febrero 9, 2010 - 01:53

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Lapis-Lazuli

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Comentarios

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Re: Vagas moribundas

Uma dedicatória tão boa e forte quão a cruel vida de quem ganha o pão no mar!

Junto-me à causa!!!

:-)

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Re: Vagas moribundas

LINDO POEMA, GOSTEI MUITO!
Meus parabéns,
Marne

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Re: Vagas moribundas

É imensamente dolorido teu texto, aflições e contradições que o amarguram, uma prisão que tú mesmo procurastes...Mas se libertarás, e sorrirás, nunca mais a sofrer, verás o que te digo...Meu abraço

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