Filosofia Sem Mistérios - Dicionário Sintético
HISTORICISMO – FILOSOFIA e HISTÓRIA – o Historicismo é o método filosófico que tenta explicar através das circunstâncias e dos fatos ocorridos, ou pelas transformações nas Estruturas Econômicas e Sociais (Feudalismo, Capitalismo, Industrialismo, Escravagismo etct.) todos os acontecimentos relevantes nos campos da Moral, da Religião, do Direito e em outros aspectos que teriam contribuído para o Progresso da Consciência Humana.
Esse objetivo do Historicismo é especialmente evidente no Campo do Direito, no Campo das Leis. O “Direito” é uma criação coletiva que evolui junto com a Humanidade que o criou e, de certo modo, é o mais fiel espelho do avanço, ou do retrocesso ou do marasmo de uma Sociedade. Porém, tais recuos ou avanços só podem ser compreendidos através de uma perspectiva histórica; ou seja, de uma visão geral de tudo que já ocorreu naquela Sociedade. Exemplo claro disso, é a Escravidão que se tornou ilegal, contrária ao Direito, tão logo a Consciência Humana evoluiu e atentou para a barbaridade do crime que se praticava.
Vê-se, portanto, que o Direito está diretamente relacionado com a evolução da Consciência Ética, mas isso só pode ser observado quando existe um intervalo – um quantum ou uma quantidade – de Tempo entre as duas condições: a anterior e a atual. Estudar o que houve de “recheio” nesse intervalo de Tempo, é uma das atribuições da Filosofia. Todavia, é necessário diferenciar (ou distinguir) o Historicismo Filosófico do Historicismo Epistemológico1 ou Metodológico.
O Filosófico faz da História (ou da existência dos fatos já ocorridos) a base para uma concepção ou noção sobre o Mundo e sobre o Homem, suas crenças, valores, aprimoramentos, desregramentos etc. E usa tal noção ou concepção como instrumento para compreender as Causas, os Motivos, e os Efeitos dos fatos acontecidos. Os chamados “Fenômenos Sociais”.
No caso da Metodologia, não se admite a História como formadora de uma concepção ou de uma idéia sobre o Mundo. Vê-se a História apenas como uma das condições para que a Realidade possa ser compreendida.
A FILOSOFIA DA HISTÓRIA – é a noção de que a seqüência dos acontecimentos ocorridos não aconteceu por “mero acaso”. Que NÃO é um conjunto de fatos acontecidos que foram agrupados aleatoriamente, sem qualquer critério, lógica ou coerência. Ao contrário, é um “Movimento” que tem um rumo, uma direção definida e determinada; e que acontece conforme as “Linhas Mestras” pré determinadas (por Deus?).
O conhecimento correto do Passado, por isso, pode ser insuficiente para que se preveja os acontecimentos futuros com riqueza de detalhes; porém, permite que se saiba do Sentido, ou do rumo, a seguir.
Sob esse ponto de vista, dois filósofos – entre outros - traçaram importantes teses conforme as linhas de seus Sistemas de Pensamento. São eles, Marx e Hegel, como veremos na seqüência:
1. Hegel e o Idealismo Histórico – propunha que a Razão (ou a Consciência) desenvolve-se, realiza-se, através do DEVIR* que gera a seqüência dos fatos. Para ele a História Universal seria a representação, a imagem, do esforço que o “Espírito (a Consciência)” faz, no decorrer do tempo, para compreender o que ele (espírito), efetivamente é.
2. Marx e o Materialismo Histórico – doutrina que Marx criou em conjunto com Engels e que afirmava que as “Forças Materiais (especialmente as Econômicas) dominam e dão formato às “Forças Espirituais (ou intelectuais, como pensamentos, idéias, religiões, artes etc.)”. Ironizaram Hegel ao dizerem que se ele colocara a “História sobre a Cabeça”, eles a repuseram “sob os pés”. Ou seja, o “Espírito” é um simples produto fabricado pela História e NÃO o seu motor, o que a faz acontecer.
Em outros termos, veremos que para Hegel a História é um conjunto de fatos ou acontecimentos que foram produzidos pelo “Espírito” enquanto esse caminhava em busca de sua mais alta realização: o autoconhecimento. Já para Marx e Engels, a História é feita por um grupo de Indivíduos ou por uma Classe que impõe ao restante dos Homens o ônus de seus feitos. São os interesses dessa Classe de Privilegiados que geram os fatos, os acontecimentos; os quais aprisionam, constrangem os demais indivíduos que, ao cabo, tornam-se meros fantoches da História; a qual, por sua vez, é o que modela suas toscas atividades culturais, religiosas, intelectuais etc. É uma análise bem realista, diga-se. Mas seria reconfortante se a dupla de filósofos explicasse o porquê das Coisas serem assim? O porquê de existirem tantos que obedecem a tão poucos?
Se para Marx e Hegel, malgrado suas interpretações serem diferentes, a História poderia ser vista como se fosse “uma linha reta”, orientada, ou seja, tendo um começo definido e um fim provável; para outros Pensadores, como Nietzsche e Platão (este, nitidamente influenciado pela concepção hinduísta do tempo circular) a História poderia ser vista como um Circulo, sem um inicio e sem um fim. Ambos, além de outros que lhes comungava essa idéia, afirmaram que o Tempo, e, por conseguinte a História é Cíclico, o que acarretaria a repetição de todos os acontecimentos, como se fosse um “Carrossel” em que um “cavalinho branco, entre todos os outros que eram amarelos”, após percorrer seu circuito, torna a se manifestar para quem o estiver vendo na ocasião. Grosso modo, essa comparação tenta ilustrar o porquê a tese da repetição de fatos históricos, que são presenciados por homens que vivem em diferentes épocas, não ser compreensível, ou aceitável. Afinal a vida humana é tão breve que não permite assistir “a outra rodada do Carrossel”. Contudo, se o Individuo é finito, a Espécie Humana não é (ou se imagina que demore a ser extinta) e esse fato é que explica para alguns – como Jung, por exemplo – porque o Homem traz alguns conhecimentos desde o útero. Saberes intuitivos que nascem com ele e pelos quais ele consegue, mesmo que de forma borrada, vislumbrar alguns acontecimentos e ter a sensação de já tê-los visto. A isso, Nietzsche chamou de “O Eterno Retorno” e ensejou que Platão dissesse que “Não conhecemos, reconhecemos”.
Mas de qualquer modo que se veja o passar do Tempo, a Filosofia mira especificamente qual o Sentido da História? Qual o seu rumo e/ou o seu Significado? Será que traz em si um aperfeiçoamento Moral, Intelectual; um desenvolvimento na Cultura e na Ética? Ou se ruma para a decadência total? Ou, ainda, descendo um degrau e olhando-se apenas para o aspecto material da vida: caminha-se para a consolidação definitiva do Capitalismo, ou para um ressurgimento do Socialismo? Questões colocadas e que ocupam os pensamentos de todos os que se sabem filósofos no sentido original do termo: “amigo do saber”.
Submited by
Prosas :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 5889 reads
other contents of fabiovillela
Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío![]() |
Idioma | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia/Amor | Sincretismo | 2 | 1.961 | 07/29/2009 - 23:14 | Portuguese | |
Poesia/Dedicada | Rio Severino | 1 | 2.072 | 07/27/2009 - 16:04 | Portuguese | |
Poesia/Aforismo | Proparoxítonas | 1 | 3.960 | 07/27/2009 - 00:29 | Portuguese | |
Poesia/Amor | Desejo | 1 | 1.772 | 07/26/2009 - 02:22 | Portuguese | |
Poesia/General | Quem dera | 2 | 2.454 | 07/25/2009 - 16:40 | Portuguese | |
Poesia/General | A Cidade | 2 | 3.454 | 07/25/2009 - 01:45 | Portuguese | |
Poesia/General | Queria | 3 | 4.002 | 07/24/2009 - 06:17 | Portuguese | |
Poesia/General | Que | 0 | 5.395 | 07/23/2009 - 21:35 | Portuguese | |
Poesia/General | Os Cegos | 2 | 3.718 | 07/23/2009 - 16:19 | Portuguese | |
Poesia/Dedicada | João Guimarães Rosa, Ave! | 3 | 4.008 | 07/22/2009 - 18:21 | Portuguese | |
Poesia/General | Quintais | 2 | 2.720 | 07/22/2009 - 15:46 | Portuguese | |
Poesia/General | Caminho da Memória | 3 | 3.734 | 07/22/2009 - 14:41 | Portuguese | |
Poesia/General | Saudades Estranhas | 3 | 3.777 | 07/21/2009 - 18:35 | Portuguese | |
Poesia/General | Sal | 2 | 3.549 | 07/21/2009 - 17:40 | Portuguese | |
Poesia/General | Catedral | 2 | 4.133 | 07/21/2009 - 14:20 | Portuguese | |
Poesia/General | Bourbon | 2 | 3.647 | 07/19/2009 - 18:09 | Portuguese | |
Poesia/General | Minotauro ou Astérion | 3 | 3.479 | 07/18/2009 - 23:10 | Portuguese | |
Poesia/Soneto | Denso | 3 | 4.110 | 07/18/2009 - 16:11 | Portuguese | |
Poesia/Amor | Poema Leve | 3 | 4.548 | 07/17/2009 - 16:51 | Portuguese | |
Poesia/Amor | Poesia, rima e vida | 2 | 5.506 | 07/17/2009 - 12:55 | Portuguese | |
Poesia/General | O Viver Geométrico | 2 | 4.438 | 07/16/2009 - 04:20 | Portuguese | |
Poesia/General | Você e o Sentido | 1 | 3.993 | 07/15/2009 - 16:06 | Portuguese | |
Prosas/Otros | DEUS, O HOMEM E O VINHO | 1 | 5.882 | 07/14/2009 - 17:08 | Portuguese | |
Poesia/General | Volte Sim | 2 | 4.095 | 07/14/2009 - 16:27 | Portuguese | |
Poesia/General | Folhas e Almas | 3 | 3.006 | 07/14/2009 - 14:58 | Portuguese |
Add comment