SOU EU AGORA QUEM CHORA


A lágrima cai,
esvai-se em silêncio, solitária.

Em desespero se demora
a molhar o chão do grito desperto.

A noite fala alto na minha alma,
sou eu agora quem chora algo que não encontro.

Fôlego desaparecido numa névoa profana.
A lua insana, escurecida por lamúrias sem voz.

Sentimentos esquecidos num soluço lírico,
réstia de tempestade que se anuncia oceano.

Caminho de lugar incerto, sombra perdida.

Palavra ardida no fogo inverso.

Propósito inacabado, a escuridão desabada
numa montanha de estrelas extintas, sem universo.

A dor sentida no tempo, a ilusão escondida
num momento onde moram os olhos, magoados.

Corpo possuído por rios de ausência.
Beijos não dados, saudades não sentidas.

Através do pensamento, as mãos
findam nos lábios de uma canção triste.

A solidão liberta o pior de mim,
ventos de sopro seco, águas de chuva negra.

Passo desentendido,
a procura prometida num coração calado.

A multidão a meu lado,
abismos de ser, pedra povoada por ira.

A mentira num sapato que se afasta,
a verdade incandescente, libélula distante.

E eu... Destroço do meu próprio lamento.
 

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Lunes, Mayo 23, 2011 - 23:58

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Henrique

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