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O Farol

O calor suave de um raio de sol inundando-me a pele, forçou-me hoje o despertar.
Intrigado e surpreso, pois o vendaval da noite anterior em nada fazia prever um amanhecer assim, levantei-me e fui até à janela abrindo as cortinas de par em par.
Foi quando vislumbrei, um céu lindo, limpo, de um azul vivo, que no horizonte se confundia com a linha do mar.
Abrindo a janela, Inspirei fundo e pude sentir o delicioso cheiro da maresia que invadia o ar com o seu odor característico, forte e simultaneamente fresco.
Apurando o ouvido, pude ouvir as ondas a afagarem a praia e as gaivotas ao longe, numa sinfonia única, uníssona entoando uma perfeita melodia sem pauta.

E então senti…
Senti a paz do momento, perfeito, único.

Por momentos, esqueci quem sou, pois isso perde toda a importância mediante um cenário como este.
Por momentos, senti-me parte do que via, senti o meu odor misturado com o da maresia, a minha voz a entoar o mesmo cântico das gaivotas e senti-me elevar.

Elevei-me para junto delas e de lá, pude observar num plano superior, abrangente, tudo o que me rodeava, inclusive a mim próprio.

E foi então que vi!
E foi então que me vi!

E vi-me ali, na janela daquele farol, isolado no meio do azul e não me reconheci.
Estava com um aspecto cansado, maltratado pelo tempo, e a minha pele… tinha pelo menos mais 10 anos do que me lembrava.
O que terá acontecido? O que se terá passado comigo para estar naquele estado?

Será que de facto, de facto eu não o sabia?
Penso que sim. Sabia-o e bem!
Só não me havia ainda apercebido que as marcas tinham sido tão profundas, tão… marcantes!
E foi então que me veio aquele sentimento, aquela nostalgia, aquela… saudade.

Tu partiras não havia muito tempo, com aquele teu ímpeto que te é tão característico.

Desde então, fiquei perdido à procura de me encontrar como me tinhas encontrado anos antes. Tolo. Já devia saber que isso era impossível.
Como não o consegui, nem tão pouco habituar-me à ideia de já não te ter por perto, continuei a procurar-te a ti.
Á noite, no lugar da cama que ficou vazio.
De dia, no teu lugar à mesa, que eu, num gesto mecânico, continuava a colocar e para o qual ficava por vezes, durante longos minutos a olhar, até que sentia aquele frio húmido de uma lágrima, e então…

Até hoje, não sei o que se passou connosco para que tenhamos chegado aqui. O que se passou, ou o que deixamos que não se passasse para ser possível… isto!

Mas a verdade é esta, e eu, por muita vontade que tenha, não tenho capacidade para a mudar.

Continuo aqui à tua espera.
Não saio com medo que possas voltar e não me encontrar.
Não saio com medo que eu possa voltar a não me encontrar.

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segunda-feira, março 10, 2008 - 13:38

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FPaixao

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Comentários

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Re: O Farol

Texto bem escrito, boa interpretação das coisas!

:-)

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Re: O Farol

Gostei bastante da descrição inicial e da fusão do Eu com o que observa e a paz que isso lhe transmite.

'E foi então que me vi!': apesar da personagem ficar surpreendida com o que vê e de não se reconhecer a si própria, isso no meu ponto de vista, é uma forma de 'se encontrar'.

Não consegui entender a função do farol neste texto, já que costuma ser associado a algo de bom, a uma luz que nos faz encontrar o caminho.

Adorei o final.

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