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O Prédio
Com o pijama de peluche que a minha avó oferece todos os Natais, as soquetes a condizer da madrinha e o roupão do padrinho, o Elias a provar o cinto deste "cinto novo, adoro o Natal". Dura um ano cada cinto do roupão que o padrinho insiste ser o presente perfeito há duas décadas. Televisor ligado e um repórter excitadíssimo noticiando o edifício mais alto do mundo no Dubai. Fiquei com a boca como uma persiana aberta a meio de uma janela. O repórter partilhou comigo uma ou duas salas de aulas. Emprestáva-me os apontamentos organizados para eu tentar estudar de véspera para os testes. Sei que errar é humano, mas o rapaz aplicáva tanto erro ortográfico que o tornava quase desumano. Bem, pelo menos está na profissão certa. Ele gaguejou, atrapalhou pronomes pessoais, engasgou-se e só percebi a notícia concreta quando vi as imagens do edifício. Bolas! Aquilo não é uma arranha-céus, é um fura-céus! Introspectei o velho ditado: "Nem tudo o que reluz é ouro". Pois é tão verdade como a palavra transmitida de um para o outro e por aí fora. O petróleo não reluz, é negro e pastoso.
Repentinamente o Elias abandona o sabor lilás do cinto de peluche.
Benedita: ó cão, onDubais?
Elias: bou até à janela apanhar bento nas bentas e bolto já.
Neste quarto andar direito não há perigo que o animal escorregue e vá parar ao cimento, comparando com o prédio que acabara de ver, senti-me num rés-do-chão abaixo de zero.
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