Morrer a rir

Era uma vez
Treze homens a uma mesa
Treze garfos
Treze facas de trinchar
Que eu já não conto.
Músicos também treze
Tocam músicas de embalar
A morte.
O cheiro a carne tostada,
Adocicado,
Perturba os treze,
Que debaixo das suas vestes,
Negras e triunfais,
Não resistem aos enjoos
Curvam-se.
Um a um, até treze,
Vomitam angustiados.

Das suas mãos enfraquecidas
Pende o talher.

A rúcula já não é viçosa,
-Como estou quente, penso
E estalo.

Tento mexer-me mas não consigo
Talvez bebesse vinho, se pudesse
Paciência, penso se vedado me está o falar
Em pensamento esboço também um sorriso
Um sorriso de quem assiste ao seu último triunfo
Um sorriso de glória.

Treze, vivos, com medo da morte.
A minha querida morte, que agora os enjoa.

-Mataram-me, agora comam-me! Grito, por dentro.

Lá fora a manhã, cada vez mais cinzenta…
Um canário esvoaça, livre.
E eu arrefeço.

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Monday, February 9, 2009 - 20:42

Poesia :

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Conchinha

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Comments

Henrique's picture

Re: Morrer a rir

Um poema bem escrito, gostei!!! :-)

Anonymous's picture

Re: Morrer a rir

"Não Sou o Dono do Mundo... Sou o Filho do Dono."
(Autor Desconhecido)

E ressuscitaste ao terceiro…copo não !!! heheheh Conchinha excelente. 8-)

Conchinha's picture

Re: Morrer a rir p/Gothicum

Adorei esta citação - só podia ser de autor desconhecido.

Um abraço

Anonymous's picture

Re: Morrer a rir

Aguardo pelo desenvolver...estou curiosa!

Beijo

Conchinha's picture

Re: Morrer a rir

Já sabes...próxima 6ª, 13.
Se no caminho sentires um cheiro irresistível e ouvires pele a estalar, já sabes...

Estás na Bairrada :lol:

Anonymous's picture

Re: Morrer a rir

Não me digas...era sexta-feira!

Beijo

Conchinha's picture

Re: Morrer a rir p/MariaTreva

Era...a próxima!

Há também outra versão - que associa o nº 13 à Última Ceia, sendo, neste caso a minha Última Ceia :-)

bjs

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