O OUTONO DA VIDA É UMA CARA SEM LÁBIOS

O Outono que me espera
na enseada em sede do fim da vida,
matuta baús de verbos em tropel inconfessado.

Primavera insaciada como vento
pelas cearas da madrugada às mãos da lua.
Escrita na cara da morte como estátua sem lábios.

Cacho de fantasias como pua da noite
a galgar o Verão das estrelas até ao infinito.
Ilusão de que existe as águas profundas dos poetas.

Quanto acredito
é um cavalo de fogo sem me queimar.
Escutar onde me outorgo remorso no caule dos sonhos.

O tempo é um lago
que seca ao sorrir das lágrimas.
É o sangue que tem dentro a luz do pensamento.

Sentimento como forro dos caixões da poesia.
Bússola de escuridões encalhadas nos nós dos dedos.
Barco à deriva nos estilhaços de um espelho doidivanas.

Olhar que tudo incendeia.
Pranto que semeia sombras no corpo.
Mantos de vontade como palácios de ardor.

O amor é musgo de um bosque
que trinca em fúria como fera constante
a espada que esventra o orgasmo das paixões.

E quando esse Outono chegar,
tudo será emoldurado pálido à beira-mar.
Nas árvores do passado, o fruto será ânsia de voltar.

 

 

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Thursday, November 3, 2011 - 17:11

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