Nada me pertence.
Nada me pertence mais que as memórias do uso a que me dou,
Sirvo tudo o resto e acabarei por esquecer, nu e em branco sótão,
Como tudo o que faço, fazendo disso o que se chama um jantar a 2,
Como a ilusão num acostumado raso prato, jantando-nos no alto divã,
Na divisão de barraco que em mim mora, pode ser amanhã ou foi noutra
Era d’antiga hora, onde não existo nem quero insistir.Fora d’portas
Nada me pertence mais do que uma trouxa e a memória destas notas,
A firmar que estou eu entrando no sonhar que esquecer não quero,recuo
Senão quando o ouço clamar ao ouvido incincero dizendo adeus,
Como sonho ido embora, esqueço o que diz meu barraco coração
Agora mesmo e se chora partido, perdido e sem historia ou vã-glória,
Mas conscienço-me que foi par’outro estado novo, estrada que não vou
No meu ir, fui noutra e minha e vou plas masmorras que minha vinda
Sentiu e soam no passado que sou e me mal’agrado, ou mal’m’agradeço
Do limite que me limita a felicidade que volta na memoria esteira
Minha e desses outros tolos, tantos e todos. Cansei de mandar em mim
E no que há acima da morte, quiçá se chama sorte ao Deus-dará,
No entanto nada mais me compraz que ler de frente pra trás, o que foi
Dito como às voltas numa estranha errata, sem começo nem fim,
Encerrada, errado sentir – oh Deus meu que nem ao meu desespero
De parado tempo me afeiçou, nem eu rezo d’joelhos avé marias,
Zero, zé ninguém sem decisão ,doente por dentro e com o historial dum’sisifo,
Sendo eu noutra paralela historia o absurdo da peste e o surto,
Com que empesto um mar de vida ,que em mim vive intenso, imenso,
Nada mais me pertence que esse mal de pensar que vem em mim dentro,
E cobre d’igual indiscrição a acrescida fronha, em que meus
Desgrenhados sonhos ponho e comunicar tento,,,
Jorge Santos (11/2014)
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