Sonho Terapia III

Ensinei-a a retirar do coração os ovos sem gema,
a beber a clara com uma palhinha feita de vidro fosco de garrafa. Indiquei-lhe onde ir buscar a rede fina, para peneirar os fantasmas da farinha. Levei-a à praia para ir buscar o açucar em caramelo bronzeado num dia bem quente, quase em ebulição.Derreti-lhe a manteiga contra a pedra polida da lareira sem fim,
juntando-lhe leite materno da quinta que fica no horizonte... Peguei-lhe nas mãos e numa colher de pau de bambu liso,e em espiral mexemos tudo, sentados na varanda,aromatizando a massa com maresia e uma pitada de sal,como se fosse a vida com fermento numa forma a crescer,e no fim da delícia terminada saboreá-la sem medo, sem medo de veneno e de almas impuras que aí pudessem nascer.
.
Partilhá-la com ambos os lados da vida: a tristeza molhada e a felicidade com sede. Dar as mãos a cada uma delas e conseguir sobreviver, pendendo de lado para lado,mas com a felicidade sempre, sempre a sobressair. Quando tal não acontecer junta chocolate e um copo de água,nascerá o teu amigo diferente na pele mas igual na saudade e por vezes na mágoa. Passeia com o tempo e devora o nada,enche a alma de sonhos e respira o mais doce amor;e mesmo
que o percas e nunca mais possas sorrir, abre as asas e voa,voa para perto de mim! há sempre um sonho por mais distante que seja, mesmo que nunca se possa concretizar,só tens é de vibrar e amar, mesmo sem o puderes fazer...

Chora, chora para sempre e sofre eternamente, mas sorri e não te deixes morrer.

rainbowsky

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Tuesday, May 25, 2010 - 22:38

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rainbowsky

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Re: Sonho Terapia III

Rain,

Esta terapia do sonho justifica a partilha:

"Peguei-lhe nas mãos e numa colher de pau de bambu liso,e em espiral mexemos tudo, sentados na varanda,aromatizando a massa com maresia e uma pitada de sal,como se fosse a vida com fermento numa forma a crescer,e no fim da delícia terminada saboreá-la sem medo, sem medo de veneno e de almas impuras que aí pudessem nascer."

Uma receita de vida, com ingredientes naturais de amizade!

Choramos e sofremos, mas sempre vivos!

Beijinho

Carla

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