A Jóia - Ato Primeiro - Cena IV

Cena IV

Valentina , só

(Senta-se de novo à secretária, abre-a e recomeça a contar dinheiro.)

- Terminemos esta conta...

Três contos... quatro e quinhentos...

e seiscentos... setecentos...

Quase a cinco contos monta

desta semana a receita!

Vamos conferir... (Toma a pena.) O Ramos

deu-me na quarta... - Escrevamos -

oitocentos de uma feita...

(Escrevendo.) “Oitocentos”. (Pensa.) O Pimenta

aquele broche me deu

que há três dia me rendeu

trezentos e cinqüenta...

Entregou-me o deputado

todo o subsídio. Que bolo!...

É justo: um fútil, um tolo,

que só diz “muito apoiado”

e ganha um conto e quinhentos. (Escreve.)

Deu-me no dia seguinte

Mais quatro notas de vinte...

O Sá tem dado trezentos...

O fazendeiro... (Batem à porta.) Quem é?

Já lá vou!

(Guardando o dinheiro que estava espalhado.)

Deve estar certo...

Levo isto ao Banco, que é perto,

daqui a pouco. (Batem de novo.) Olé! Olé!

Com que pressa está!

O Joalheiro (Fora.) - Estou!

Não se acha em casa a senhora?

Valentina - Se quer, espere!

O Joalheiro (Fora.) - A demora

é pequenina.

Valentina - Lá vou.

(Vai abrir a porta: entra O Joalheiro com uma caixa de jóias na mão.)

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Wednesday, April 15, 2009 - 23:32

Poesia Consagrada :

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ArturdeAzevedo

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