Croqui

Perante a penumbra de uma sala em suas cortinas
Meu ser vulnerável é breu de tão subjacente
Perdido sem sua luz, sem sua vela bailarina.
Facilmente se entrega ao silêncio presente.

Olho para cima e vejo um canyon no teto,
Olho para mim e percebo um outro canyon que me divide,
Distanciando nosso amor e trazendo para perto
A falta do semblante que dentro deste cego olho reside.

Olho para mim novamente e pergunto:
Perguntas, para que perguntas?
Sabe-se que agora ela está chorando em algum canto.
Um pranto que se planta.

Mais uma dívida cobrada pelo diabo irritado
Tirando sem avisar
A minha Luz, a minha face do lado
Que não soube olhar.

Subo a serra toda manhã de inverno
Para mergulhar lá de cima,
Planar suave no meu silêncio eterno
Até cair num copo cheio de rimas.

Sua imagem, não consegue fugir da minha retina,
Sua voz retine em meus ouvidos
Deixando surdo tudo que me desatina.
Uma culpa que me deixa ferido.

Desculpe por eu ter parecido de pedra
Você sofre agora e sofria antes,
É triste quando algo se quebra
Sem recuperar a felicidade aparente.

Você ainda mora no vale da saudade
Na fazenda ao pé da serra
E dorme ao lado do corpo de seu pai sem vaidade
Enterrando a minha lembrança nesta terra.

A irmã é uma estrela das letras
Usurpadas de uma cruel tristeza sua.
As palavras aparecem quando seu semblante soletra
Sem fé os versos no papel flutuam.

O pior é que ela lá, ainda está
E eu, eu ainda estou aqui
E nós, nós estamos por toda parte sem nos encontrar
E a vida, a vida é apenas um croqui.

Submited by

Wednesday, December 16, 2009 - 22:22

Ministério da Poesia :

No votes yet

FranciscoEspurio

FranciscoEspurio's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 14 years 20 weeks ago
Joined: 11/08/2009
Posts:
Points: 450

Add comment

Login to post comments

other contents of FranciscoEspurio

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Fotos/Profile 2085 0 2.236 11/24/2010 - 00:45 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tentativas inúteis na sacada 0 3.192 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Odisséia 0 2.722 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Dedicated No caminho das pedras brilhantes (São Thomé das Letras) 0 3.546 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O viço dos seios 0 3.384 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Intervention A pele iraquiana 0 2.817 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O revés 0 2.690 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O guardião 0 2.822 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O Demônio Interior 0 2.665 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Morte ao amanhecer 0 2.572 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Death to be born wise 0 2.817 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Dedicated O texto de um pai 0 3.436 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Fantasy Ninfas 0 3.113 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Atado ao Umbigo 0 2.684 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Intervention Pentáculo 0 2.556 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Dedicated Jean Baptiste Grenouille 0 3.269 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O estocástico 0 2.338 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Sido Ser 0 2.230 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Grão latente 0 3.588 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O salto das horas 0 3.177 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Segure minhas mãos 0 2.716 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Intervention Decepção da obra e do poder 0 2.875 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General O ensejo da soma 0 2.823 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/General Perdição 0 2.858 11/19/2010 - 19:10 Portuguese
Ministério da Poesia/Dedicated Figura de madeira disforme que orna a proa de minha embarcação (Carrancas) 0 2.785 11/19/2010 - 19:10 Portuguese