Desligo a televisão

 

Desligo a televisão,
fico disponível para as palavras
que precisem da minha companhia;
fico titular de uma certeza de efeitos sonoros
que se arrebatam no meu peito,
sem estatísticas, sem vetos, sem grades,
sem estátuas equipadas a rigor
que me façam ter pena de olhar
a modalidade dos meus pensamentos.
.
Arrasto a cadeira sobre a alcatifa,
vejo no calendário o dia que me doem os pulsos...
Pego na caneta e prevejo a antestreia do filme
que me importa escrever quando me souber ler;
enquanto pego no livro sem nada escrito,
evito qualquer polémica com a alma
e afasto a punitiva sequência de luz
que me afaga ferozmente os olhos perdidos.
.
Dispenso-me numa prateleira,
escondido do endereço postal da areia do mar.
Como toda a gente tenho sonhos,
mas por vezes envergonho-me
de cruzar os braços e esperar
sobre uma rede de ansiedades
que a noite tome medidas
para que eu acorde num outro mundo.
.
Às vezes a ficção confunde-se com a realidade,
o preto e branco passam a cores profundas (irreais)...
Dou férias à determinação
e espero que a esperança infinita do ego
abra a janela da vida
e me deixe entrar com novas letras
para um argumento imprevisível.
Às vezes (a espera) torna-se numa manhã,
mas quando abro os olhos ja chegou a noite
e esse escuro movimento
passa a ser o meu reduto natural.
.
Aproximo-me do ecran
para tentar perceber se saí de dentro dele...
e só quando ouço as ondas do mar
me apercebo que é preciso embalar a espuma
antes que ela se dissipe debaixo dos pés...

 

rainbowsky

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Monday, January 3, 2011 - 18:59

Poesia :

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rainbowsky

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Ao desligar a TV. um mundo novo se descortina.

Uma bela proposta de poesia moderna, solta sem pontuações deixando o leitor dar asas a sua imaginação.

Muito boa, gostei.

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