Strange XI - Errar de novo

A porta do carocha abria-se para te devolver
ao mundo exterior. Os vidros fumados
fechavam-se, da mesma forma que o teu destino.
O pára-brisas deslizando sobre o vidro molhado
imobilizara-se de repente, como se morresse
na vida que nunca tivera até então.
.
.
Um envelope negro colava-se ao metal do capô
como se quisesse perfurá-lo com as palavras escritas.
vinha assinado pelo demónio das trevas seculares,
lacrado com sangue das lágrimas de um anjo enganado,
destinado ao teu único espaço bom, para o modificar.
.
.
Tiravas os óculos escuros e vidravas-te nas folhas.
- Não acredites, não leias mais. - Mas a voz dentro
de ti não conseguia lutar com aquela escuridão;
corri pela lama que parecia queimar os pés,
vinda debaixo da terra, traiçoeiramente.
- Pára, pára. - Mas não me ouvias, cada vez mais
te absorvias. O teu corpo cobria-se de manchas negras,
a tua boca expelia a bondade da tua alma...
e eu caído na lama já nada podia fazer!
.
.
A terra estremecia e uma força sugava-te,
como se um tornado de fogo vindo de mãos poderosas,
interrompesse até, a voz das folhas caídas no chão.
.
.
Eu fechava os olhos com as mãos poderosas.
o rosto que desesperado aos céus se dirigia, e pedia
e contemplava que um raio o atingisse, e a força do demónio
nos teus olhos se iludisse, pensando ver-te, no fundo,
uma tentação, um sorriso malicioso e possuído.
.
.
Nada acontecia. Só o pára-brisas voltara a rodar.
O motor ouvia-se. O carocha estava vivo, com o meu
espírito a conduzir. Estava quente, muito quente,
o envelope queimara-se sobre os estofos de pele...
.
.
.
Eu estava quase insconciente, mas o teu anjo
estava comigo. Acelerei contra o inimigo...
.
.
Acordei com a cabeça parecida com um prego,
mil vezes martelada. Prostrada no chão, estavas tu,
totalmente imobilizada. Sem pulso nem respiração.
Mas ainda me lembro como te reanimava
de todas as vezes que repetíamos aquela cena,
que eu discretamente fazia por errar...
dava-te um beijo na boca, tão doce que acordavas feliz.
.
.
Amava-te. Menos que agora, mas amava.
.
.
- Onde estava a tua expressão de medo ainda viva?
Já o realizador desesperara...
Mas eu já só sonhava errar de novo...
Para também eu ser feliz.

Talvez um dia...

 

rainbowsky

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Tuesday, January 11, 2011 - 18:18

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