RÉDEA CURTA


Gadanhas de ódio
ceifam ervas altas no matagal do meu rumo.

Prumo desalinhado,
balança de fumo em paredes
de estuque torto no meu passo a trote incerto.

Bilhas de aço bóiam cheias
de enredo num lago de medo.

Ai loucura fundeada
nos altos e baixos de uma candeia
acesa sobre a mesa servida de luas cruas.

Inércias estropiadas,
trancadas em desejo de rédea curta,
apetite em seta forjada de obscuridade.

Tragédia de mó empenada,
leve sotaque de pó assente na planície dos olhos.

Janela pasma que teima
fechar-se ao vento de um dó violento.

Violino fel que queima a pele
amarga por lembranças de menino
descarregado de trovões servidos em biberões
de andar sozinho.

Emoções de tarde sem pé rosnam
água ardente no peito sem chaminé.

Choros defeitos num guardanapo
em voz de espera num beijo fera.

Pescoços atraem cepos num alvoroço
de lascas assobiadamente afiadas por cascas
de claridades nunca fermentadas na pildra do ego.

Espadas encostam sobrancelhas
ao abismo num cismo de centelhas
bordadas nas mortalhas dos tempos.

Tralha fantasia,
ralha a noite solidão lixo,
açoite de telhados de amor desocupado.
 

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Wednesday, January 26, 2011 - 23:12

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