Vencido

Vencido

Quero saber se realmente s’tou vivo
Ou deixei de existir sen’sequer notar
Ter vivido, insignificante levito
Morto, imito como o abster da luz dos astros

Menores que rodeiam Saturno e Uranus
De cores desmaiadas, limadas luas de gelo, frias
Mesmo à luz parada do meio dum dia d’outono
E para sempre, sempre por mais um ano,

Vivo o desejo de infinito que suponho comum
De viventes reais e no qual nem acredito nem
Se hei de estar realmente vivo pra sempre
Na semana-que-vem, nem que seja pra

Morrer apenas por vontade própria em acta
Mas “de vez” e como deve ser na morte
Um certo curto, lúcido e estranho convicto, preso
Em mim próprio pro resto desta vida

Vivida em oito passadas de trinta cinco passos,
Porque não sessenta,  sendo doze  os meses
E as frágeis fantasias presas a mim, como
Marcadas impressões a dois tendo nós ambos

O mesmo comprimento em altura como
Na largura a silhueta dos ombros que
Nos projecta deuses, neste sótão bera e chão,
Tão contraditório eu sou, não diria diferente

Porque não o sou de toda a gente, embora
Vida pareça vida sendo minha de início
Compartilho o desatino de outro, um morto
Sonhando-se vivo, insolvente de sensações,

Vencido.

Joel Matos ( 25 Novembro 2020)

http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com

Submited by

Miércoles, Noviembre 25, 2020 - 18:00

Poesia :

Su voto: Nada (1 vote)

Joel

Imagen de Joel
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 1 semana 6 días
Integró: 12/20/2009
Posts:
Points: 43902

Comentarios

Imagen de J. Thamiel

coment

Parabéns.
Copiei e guardei também.
Tomei posse, não é só sua
agora é minha. Amém.

Imagen de Joel

obrigado, assim como a sua

obrigado, assim como a sua escrita é minha tb, é de todos depois de feita e parida (muito obrigado e bem haja)

Imagen de Joel

obrigado

obrigado

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Joel

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Prosas/Otros Mad'in China 0 5.571 11/07/2013 - 16:31 Portuguese
Poesia/General Tenho escrito demasiado em horas postas 2 5.413 11/07/2013 - 12:59 Portuguese
Poesia/General Vivesse eu... 0 6.405 11/07/2013 - 12:31 Portuguese
Poesia/General Na cidade fantasma... 0 3.723 11/07/2013 - 12:30 Portuguese
Poesia/General Pudesse eu 0 3.196 11/07/2013 - 12:29 Portuguese
Poesia/General Quando eu morrer actor 0 3.749 02/16/2013 - 23:02 Portuguese
Poesia/General O que é emoção e o que não o é... 0 6.936 02/16/2013 - 23:01 Portuguese
Poesia/General Sombras no nevoeiro 0 3.936 02/16/2013 - 22:59 Portuguese
Poesia/General o dia em que o eu me largou 2 4.260 12/30/2011 - 13:24 Portuguese
Poesia/General ciclo encerrado 0 4.646 03/11/2011 - 23:29 Portuguese
Ministério da Poesia/General gosto 0 5.319 03/02/2011 - 16:29 Portuguese
Poesia/General A raiz do nada 0 3.302 02/03/2011 - 21:23 Portuguese
Poesia/General Tão íntimo como beber 1 3.059 02/01/2011 - 23:07 Portuguese
Poesia/General Gosto de coisas, poucas 0 5.842 01/28/2011 - 18:02 Portuguese
Poesia/General Luto 1 5.271 01/15/2011 - 21:33 Portuguese
Poesia/General Não mudo 0 4.182 01/13/2011 - 13:53 Portuguese
Prosas/Lembranças Cruz D'espinhos 0 10.813 01/13/2011 - 12:02 Portuguese
Prosas/Contos Núri'as Ring 0 6.665 01/13/2011 - 12:01 Portuguese
Poesia/Fantasía Roxxanne 0 5.267 01/13/2011 - 12:00 Portuguese
Poesia/General Oração a um Deus Anão 0 7.213 01/13/2011 - 11:58 Portuguese
Prosas/Saudade O-Homem-que-desenhava-sombrinhas-nas-estrelas 0 6.345 01/13/2011 - 11:57 Portuguese
Poesia/General O fim dos tempos 0 6.140 01/13/2011 - 11:52 Portuguese
Poesia/General Terra á vista 1 4.107 01/13/2011 - 02:13 Portuguese
Prosas/Lembranças sete dias de bicicleta pelo caminho de Santiago francês 0 10.988 01/13/2011 - 00:58 Portuguese
Poesia/General Não sei que vida a minha 1 2.549 01/12/2011 - 22:04 Portuguese