O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

1.
Ruídos desencontram seus motivos, passam
em brancas nuvens: insetos e pássaros
esvoaçantes seres de outros mundos,
percorridos caminhos de faz de conta.
A conta é cobrada em mágicas faturas
de nada feito. Fatura apresentada
em ternas novelas de donzelas
em perigo e cavalheiros
de corações nas mãos.

Não há truques e simulações. Olhados
de fora para dentro na exigência
dos perigos e das cordilheiras
conquistadas em íngremes trajetos
do nada consta. Nem a verdade
na escalada se apresenta: cães
farejadores sobem a encosta.
Na busca são usados todos
os recursos: está sendo procurado.

O silêncio não totaliza, votos repetidos
aos gritos e a montanha os escuta
no instante da avalanche: neve
terra
pedras
deslocadas em velocidades de aceleração:
entre as ravinas, olhos rasos de lágrimas
derramadas: tardio o tempo da resposta.
Na ignorância predomina a raiva: apagada
estirpe.

(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, fragmento).

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Martes, Septiembre 29, 2009 - 00:09

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PedroDuBois

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Re: O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

PedroDuBois!

O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

lindo texto, linda narrativa de um feio, e infeliz acidente, que terminou com uma estirpe, com uma raça!
MarneDulinski

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Re: O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

Caríssimo Marne, agradeço sua leitura. Entendo que a morte seja apenas a parte visível da nossa transformação: voltamos, sempre. Abraços, Pedro.

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