Partitura perpétua

Partitura do crime prensado em sangue,
que opressa doentes e fracos sentados,
nos degraus do inferno que instiga,
pobres razões e fracos princípios,
onde morte e castigo talvez como em dádiva,
chegue a alguns para lhes dar descanso,
da idade que sofre a amargar o humilho,
da pobreza e da fome que se consagra a desprezos,
vadios e mutantes como abandonos perenes,
nos olhos de quem tem como pais o desvio,
concomitante e forjado no abandono,
com a cara suja de sorte malvada.
Nasce cá dentro nasce para ser,
consciente razão nas palmas do mundo,
em mãos incrustadas do sujo das horas,
produzidas a suor sacrifício e dor,
que amarfanha os rostos em convulsão,
num credo escravo de pão e salário.
Mas há-de o pão assim como o vinho,
que sangra razões de uma força sagrada,
ser corpo sem cruz num direito caminho,
que fermenta a luz de uma nova alvorada.
Que faremos assim aos poucos e a parar,
com o bico da bota ou a luva já rota,
no ergo do punho em construção,
palavra inaudita que gera censura,
apruma a coragem no seio do medo,
que conhece os olhos da valentia dos homens,
na expressão aflita do nada a perder,
quando embrenham no peito o não desistir.
Que utopia então é essa que dizem,
ser finta em gramática do enganar?
A utopia é viva no tempo do povo,
que sonha nos dias,
sem parar de lutar!

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Domingo, Febrero 21, 2010 - 01:07

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Lapis-Lazuli

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Re: Partitura perpétua

Parabéns pelo belo poema.

Um abraço,
Roberto

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