O SILÊNCIO DAS LÁGRIMAS …

Sombras grisalhas,
utopias como navalhas
sobre os pulsos do tempo.

Opaca solidão,
coração que os olhos atestam de dor,
impulso súbito nas distâncias do pensamento.

Chão deserto,
pedra esculpida por cinzéis de sede.

Água esquiva pelo desassossego que move o fogo.

Labaredas encruzilhadas,
portas fechadas a preencherem o imaginário.

Arrepio que caminha pelo eco do corpo
como a noite se esconde na escuridão,
como o tempo se sente nas pernas.

Síncope onde a alma cai triste no sono
e o corpo acorda em coma.

Insónia onde o sol não volta mais.

Esquina onde o vento sussurra acirrado
por suspiros fundos de amor,
empurrado por pecado.

Maré de poesias nuas,
onde as musas me incendeiam as mãos
e reinam a escravidão do olhar.

Rio que corre surrealista
por entre as margens da realidade.

Luas onde as palavras se deitam cruas.

Ninho de ilusões,
ruina coberta pelo pó dos tesões.

Morte sem dó,
janela aberta aos trovões
que metrificam os pulsares da loucura.

Poema que enterra o adeus no papel de um grito
que se funde ao silêncio das lágrimas.

.
.
.
.

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Tuesday, October 2, 2012 - 22:41

Poesia :

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Henrique

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