Restolho Ardido…

Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de causas
Poucas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d’resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o “para
Sempre” quando incendiado, será obra d’arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retidos na Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem nos dedos
Das impressões e nos cotos, no esgar do s’tranho
Rosto revestid’a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertam per’si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar alto, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos, o esboço que define a valia do
Posteriormente sobre a do fundo dum antigo fosso
Quantas vezes mais casto que enganoso o lodo

Ou o logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto decomposto
Que marujo Malaio, sabujo e pé sujo-de-asceta,
Polichinelo de modo algum seria Arauto, Cavaleiro

Real da corte ou Escudeiro de Sua visigótica Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem engodo,
Enganosa a majestade, soberanode caráter minúsculo,
Sem testículos nem barba farta, é uma afronta chamar

Dádiva Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé “Generala” num Império de aroma Medievo
E pés-de-galinha, metal fedendo a má consciência.
Parsifal é o herói da gesta e Atenas caiu anteontem

Em ruínas, rest’o teatro dos parêntesis, o uniforme
De Wagner plissado, o palco, o que finge por grosso
A razão que não há em tudo, até no restolho avaro,
Ardido e pisado, o chão, o fosso, o fraco, o coxo.

Joel Matos (23 Junho 2022)

https://namastibet.wordpress.com/
https://joel-matos.blogspot.com/

Submited by

Sunday, November 20, 2022 - 19:45

Ministério da Poesia :

Your rating: None Average: 5 (1 vote)

Joel

Joel's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 20 hours 57 min ago
Joined: 12/20/2009
Posts:
Points: 43902

Comments

Joel's picture

Será na morte que os Homens

Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de causas
Poucas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d’resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o “para
Sempre” quando incendiado, será obra d’arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retidos na Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem nos dedos
Das impressões e nos cotos, no esgar do s’tranho
Rosto revestid’a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertam per’si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar alto, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos, o esboço que define a valia do
Posteriormente sobre a do fundo dum antigo fosso
Quantas vezes mais casto que enganoso o lodo

Ou o logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto decomposto
Que marujo Malaio, sabujo e pé sujo-de-asceta,
Polichinelo de modo algum seria Arauto, Cavaleiro

Real da corte ou Escudeiro de Sua visigótica Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem engodo,
Enganosa a majestade, soberanode caráter minúsculo,
Sem testículos nem barba farta, é uma afronta chamar

Dádiva Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé “Generala” num Império de aroma Medievo
E pés-de-galinha, metal fedendo a má consciência.
Parsifal é o herói da gesta e Atenas caiu anteontem

Em ruínas, rest’o teatro dos parêntesis, o uniforme
De Wagner plissado, o palco, o que finge por grosso
A razão que não há em tudo, até no restolho avaro,
Ardido e pisado, o chão, o fosso, o fraco, o coxo.

Joel Matos (23 Junho 2022)

https://namastibet.wordpress.com/
https://joel-matos.blogspot.com/

Add comment

Login to post comments

other contents of Joel

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia/General Cedo serei eu 10 2.177 04/01/2025 - 08:55 Portuguese
Poesia/General Não existo senão por’gora … 10 2.310 04/01/2025 - 08:54 Portuguese
Ministério da Poesia/General Cada passo que dou 15 4.838 03/28/2025 - 21:11 Portuguese
Ministério da Poesia/General Quem sou … 16 5.284 03/28/2025 - 21:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General A essência do uso é o abuso, 14 6.517 03/28/2025 - 21:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Percas, Carpas … 12 2.793 02/12/2025 - 09:38 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tomara poder tocar-lhes, 12 2.171 02/11/2025 - 17:58 Portuguese
Ministério da Poesia/General Pois que vida não tem alma 20 2.782 02/11/2025 - 17:37 Portuguese
Poesia/General Pra lá do crepúsculo 30 5.785 03/06/2024 - 11:12 Portuguese
Poesia/General Por onde passo não há s’trada. 30 8.446 02/18/2024 - 20:21 Portuguese
Poesia/General Sonhei-me sonhando, 17 8.818 02/12/2024 - 16:06 Portuguese
Ministério da Poesia/General A alegria que eu tinha 23 17.081 12/11/2023 - 20:29 Portuguese
Ministério da Poesia/General (Creio apenas no que sinto) 17 5.790 12/02/2023 - 10:12 Portuguese
Ministério da Poesia/General Vamos falar de mapas 15 10.425 11/30/2023 - 11:20 Portuguese
Poesia/General Entrego-me a quem eu era, 28 7.799 11/28/2023 - 10:47 Portuguese
Ministério da Poesia/General O Homem é um animal “púbico” 11 9.330 11/26/2023 - 18:59 Portuguese
Ministério da Poesia/General No meu espírito chove sempre, 12 3.742 11/24/2023 - 12:42 Portuguese
Ministério da Poesia/General Os destinos mil de mim mesmo. 21 9.505 11/24/2023 - 12:42 Portuguese
Poesia/General “Daqui-a-nada” 20 6.856 11/24/2023 - 11:17 Portuguese
Poesia/General Meu mar eu sou 14 6.643 09/26/2023 - 15:44 Portuguese
Ministério da Poesia/General (Não hei, porque não tento) 32 13.133 07/03/2023 - 10:38 Portuguese
Ministério da Poesia/General Maldade 58 7.099 04/27/2023 - 10:56 Portuguese
Ministério da Poesia/General Do que eu sofro 63 7.199 04/09/2023 - 20:15 Portuguese
Poesia/General Espírito de andante ... 37 11.368 05/26/2022 - 15:07 Portuguese
Poesia/General Nada, fora o novo ... 17 4.802 03/19/2022 - 20:01 Portuguese