A lenda de Enoah - Capitulo 6

O rei Leopoldo II exprimiu um sorriso nervoso, quando Enoah entrou na grande sala. Percival, o outro convocado para a reunião, mantinha um ar sério e pensativo.
Enoah caminhou tranquila até à cadeira disponivel entre os dois homens, e de pronto o lacaio fechou a grande porta, isolando os três presentes na grande sala.
Percival, que já antes tivera um Feed-Back do Rei, sentenciou com um olhar a entrada da filha da montanha, e manteve-se apreensivo e de olhar astuto na pequena adaga, que ela trazia presa á cintura:
-Achais sensato, meu Rei, que essa criatura venha armada à sua presença?
-Percival, ela é minha aliada.Creio que ela agora sabe quem é o verdadeiro inimigo do povo das montanhas. - Leopoldo II exibia toda a sua simpatia e franqueza num tom calmo e amistoso.
-Na verdade, majestade, não reconheço qualquer amigo, ao povo da montanha!
-Deveria ter sido colocada nos calabouços, e ao invés dormiu nos melhores aposentos do palácio!
-Meu bom nobre, peço-vos encarecidamente que não guardais rancor a tão importante dama.Só ela estará à altura da missão que guardo para ela.
Enoah fitou intensamente o rei, e sem mostrar o menor sinal de medo ou curiosidade, inquiriu:
-A filha da montanha não deve obediência a ninguem. Nem mesmo aos seus!
-Como vos digo, meu Rei. Olhai a herege! Deixai-me colocá-la nos calabouços.
-Não existe prisão no mundo que possa me deter. Não ousais zombar dos meus poderes, nem da minha pessoa.
Irado Percival levanta-se sacando a espada, com um brilho intenso de raiva no olhar. Enoah, levou instintamente a mão á Adaga, sacando-a e assumido uma atitude defensiva.
-Basta!! Parem com isso os dois. Sentem-se!
A face vermelha de Leopoldo II, era uma novidade aos olhos do nobre, que corado por ter reagido com ira, embainhou a espada e sentou-se. Enoa, permaneceu de pé de adaga em riste:
-Rogo-vos filha da montanha, que vos sentais. Tendes de guardar forças para o que vos vou pedir!
Enoah, fechou os olhos e num sinal de consentimento, colocou a adaga em cima da mesa, sentando-se solenemente:
-Seja. Ouvirei que tendes a dizer!
O rei, levantou-se e retomando a cor habitual na sua face barbuda, principiou calmamente:
-Antes de mais, agradeço a vossa presença. O reino de Ischtfall como bem sabeis, vive em paz e harmonia. Mesmo com as gentes da montanha. O clima de paz foi benéfico, para o desenvolvimento do reino, da moeda, do bem estar das gentes do reino.
-Verdade meu rei, tendes tido as boas graças dos Deuses! - Percival mostrava toda a sua admiração.
-Acontece, que tenho que reconhecer, o exército não foi tido em conta. Não somos, nem fomos bélicos. Tenho homens capazes, mas não em numero suficiente, para uma nova insvestida de Orgutt.
-Haveis dito que Pretorius se prepara para uma guerra.
-Os meus espiões assim me disseram. Orgutt, está a reunir um enorme exército e é de siupor que marchará para ischtfall.
-O reino não tem defesas.Mas temos os Deuses do nosso lado.
Enoah riu, e tomando a palavra, sentenciou:
-Os vossos Deuses, não passam de uma farsa! Se Orgutt vos atacar, nenhum Deus vos salvará.
-Herege, como ousais...
-Ela tem razão Percival.Algo de estranho se tem passado no palácio. Soube que Pretorius tem sido informado de todos os nossos pasos.
-Majestade, sugere que pode haver um espião no palácio?
-Infelizmente, meu bom nobre. Por isso só estamos os três aqui.
Um minuto de silêncio abateu-se sobre os três presentes. Um longo minuto de reflexão, cabendo à filha da montanha, interromper:
-Não vejo que toda essa intriga possa ter a ver comigo?
Leopoldo II riu timidamente e retorquiu:
-Pretorius constroi um exército. São três dias de viagem, talvez até quatro, se marcharmos até Orgutt. Mesmo que partamos já, chegaremos a Orgutt cansados e em desvantagem numérica. Se esperarmos, quantos mais dias esperarmos, somos prêsa fácil. Só nos resta uma solução!
-Um ataque surpresa?
-Precisamente Percival. Um ataque que Pretorius não esteja a contar. Um ataque com a habilidade do povo da tribo.
Enoah abriu os olhos num sinal de admiração e vendo que o rei não acabara a demosntração do plano, aguardou:
-Como sabeis, dentro de três dias é o Festival dos Mortos em Orgutt. Neste dia, eles celebram a partido dos que lhe foram queridos, numa cerimónia que costuma atrair mercadores e gentes de todos os cantos do Mundo.
-È verdade. É um ritual muito respeitado pelas gentes de Orgutt.
-Correcto Enoah. Por isso não prevejo que Pretorious faça avançar o seu exército antes.
-Compreendo. - Confirmou Percival.
-O plano então é simples. A unica forma de vocês os dois entrarem despercebidos em Orgutt, será na altura do Grande Festival. Uma vez lá dentro, Enoah assasinará Pretorius, enquanto Percival sabotará o que puder do exército. Ao quinto dia, chegarei com meu exército a Orgutt. É imperativo que os dois façam as maiores baixas que puderem. Aniquilem apenas os maiores postso de comando.
Enoah levantou-se a rir:
-Se julgais que eu, filha da montanha, moverei um dedo para ajudar vosso reino estais enganado, majestade!
-Tendes de o fazer. Mas não por nós. pela vossa tribo! Já imaginou se Pretorius conquista este Mundo de Rahmall. A sua tribo será dizimada. Ele não suportará a vossa existência.
-Porque ele atacaria a tribo da montanha? São inuteis!
-Inuteis? Percival, meu caro, tambem eu pensava assim. Mas a tribo da montanha protege algo sagrado. As minas de ouro das montanhas.
Aterrada por ver o segredo da montanha revelado, enoah, sentou-se sem forças:
-Como sabeis?
-Da mesma forma que Pretorius soube. Através de crianças capturadas.
-Insolentes.
-Pouse a adaga, minha querida. Não é tempo de a usar ainda e muito menos em mim.
Os olhos castanhos de Enoah transformaram-se para negros. Sempre que a ira e a cólera a tomavam, os olhos mudavam, bem como nascia um forte poder hipnótico.
-Controle-se, filha da montanha!
Enoah suspirou, encarando a face branda do rei e suspirou. Depois que o castanho lhe voltou à Iris, acordou:
-Muito bem. O meu povo merece que eu faça algo por eles. Mas exijo contrapartidas.
-Quereis dinheiro? - Percival zombava de toda a situação.
-Que poderia comprar nas montanhas,com o vosso dinheiro de niquel, se temos ouro?
Um novo silencio instaurou-se na sala, sendo o Rei a quebrá-lo:
-Com as tuas habilidades, és a unica esperança do teu povo. Dizei-me que pretendeis em troca?
-O titulo de rainha do Povo da montanha. Que sua Majestade reconheça o nosso povo, como reino independente!
Leopoldo II meditou por uns instantes, enquanto circulava pelo pequeno espaço que mediava os dois convidados:
-Seja. Se Pretorius cair, eu reconhecerei por Foral a existência dese teu reino.
Pela primeira vez, desde que chegara ao Palácio, Enoah sorriu de verdade e sentenciou:
-São quatro dias a pé. Não usarei cavalo e partirei sózinha.
-Não, Enoah. Percival vos acompanhará. Bem sei que não precisais de guarda, mas elaborei o plano com vocês os dois. Assim será feito.
-Quem mais está ao corrente desta missão?
-Nem a rainha o sabe,Percival. Só dependemos de vocês!
-Teremos de evitar as estradas, e os caminhos. Teremos de atravessar os Pantanos e evitar sermos vistos. Quatro dias poderá ser curto.
-Fazei como desejardes. Mas só tendes quatro dias.
-Pois que seja, Majestade!
A fim de ultrapassarem as diferenças, Enoah e Percival cumprimentaram-se num acordo de tréguase aproveitando o pouco movimento desse periodo matutino, partiram do palácio.

----FIM PARTE 6

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Lunes, Abril 26, 2010 - 10:43

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Consegue-se ler e ficar vidrada nas personagens, no ambiente em si. No fim de cada capítulo, não dá vontade de parar de ler, e fica sempre aquele gosto de querer ler mais e mais, o que só por si revela muito. Intrigante, cativante, a descoberta de um espião no reino… como será que Enoah se vai entender com Percival?!
Próximo? Capitulo 7.

Beijos,
Clarisse

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Ao ler, consigo visualizar as expressões do olhar, principalmete de Enoah, o corpo, o espaço, enfim os cheiros e a época.

É uma história que promete. E a curiosidade "mata-me"

Tens um talento admirável.

Beijos

Matilde D'ônix

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Confesso que tem sido uma caminhada surpreendente, esta minha aventura do Waf.
E são pessoas como tu, que nos incentivam, que nos fazem acreditar que é possivel fazer alguem que nos lê sonhar.
Muito grato por tambem te ver como fã da Saga.

Escrever assim, é puro prazer.

Acredita!

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Val..
Que bom que contribu para o teu serão.
PS- As pipocas engordam.

Os capitulos dirão se é lirico ou não.Pantanos e florestas, não é prático o cavalo. Acredita!

Obrigado pela tua leitura sempre fiel!

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Finalmente levanta-se um bocadinho o veu, dando espaço ao leitor para retomar o fôlego e intensificar a sua ligação com cada uma das personagens.
Os segredos da trama espreitam por entre as cortinas e permitem ao leitor fazer uma ideia dos objectivos individuais, de Enoah e do rei, daquilo q pretendem extrair um do outro e do que estão dispostos a ceder para atingir as suas metas.
Também se consegue prever que passando 4 dias na companhia de Percival a difícil relação entre ambos tomará maior intensidade...
A revelação da mina de ouro foi um novo dado brilhante, bem como o espião q transfere informações do reino de Ithsfal para o reino inimigo!
Ou seja, consegues surpreender o leitor mesmo quando as cenas são mais suaves, há sempre acção (a quase luta entre a adaga de Enoah e a espada de Percival...
LOL Porque será q Percival tinha de ter uma arma maior do q Enoah? Lol bela defesa da masculinidade da tua personagem, lololl) o leitor continua a ficar agarrado as revelações que vai descobrindo!
Impossível não ficar completamente viciada nesta historia!!!
Adorei, como é óbvio, fez-me tentar imaginar os passos seguintes das personagens. Este capitulo permite essa liberdade ao leitor!

Aguardo o sétimo com ansiedade, ja nem me movo daqui, fui buscar o banquinho magico de cartão q comprei na Expo'98 e sentei-me aqui à espera!!!
Por isso despacha-te q este papelão ja tem 12 anos...
Beijinho grande em ti!
Inês

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 6

Libbris,
Uma vez mais honrado com tua atenção e vontade de ler a saga.
Com efeito penso que vêm as avenuras nunca confessadas de Enoah, durante tal cruzada.
A razão da diferença das espadas ou armas prende-se tão somente a Status.
Percival é um cavaleiro, um nobre guerreiro, que habitualmente luta a cavalo. Enoah é da tribo e caminha a pé, sendo a tribo conhecida por saques e como tal uma espada tornava-se algo grande para a carregar.A adaga, simboliza igualmente a mestria dela.

Amei o teu comentáriuo, que é precisamente o que um comentário deve ser. A perspectiva do leitor.

Bem haja!

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