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A lenda de Enoah - Capitulo 10

Em Arkhan, no inicio da grande floresta negra, temida pelas gentes de Ischtfall, Percival mantinha reservas em relação á sua companheira de viagem, caminhava colado a ela, disfarçando o incómodo que o barulho do vento fazia ao passar pelos troncos enormes das árvores.A noite chegaria em breve e os dois procuravam, com algum receio, um local para se abrigarem.
Enoah, consultou pensativamente o local, escurecido pelas copas das árvores. Focou os seus sentidos, nos ruidos que a floresta escondia , meditando em sintonia com este novo Universo que os rodeava.
Percival por seu turno, olhara de soslaio em redor, adivinhando que com o cair da noite, não se veria um palmo na escuridão. Procurava acima de tudo uma clareira para fazer uma fogueira.
Num tom decidido, disse:
-Temos de ser rápidos. Apanhar suficiente lenha, enquanto se vislumbra algo.
-Uma fogueira, no meio desta florensa escura, atrairia todo o tipo de criaturas. Julguei que era suposto passarmos despercebidos.
-Sim, mas temos de dormir. Não achais?
Enoah abriu os olhos, encarou o seu companheiro de viagem e sorrindo provocadoramente, sugeriu:
-Conseguis subir a uma arvore, oh grande guerreiro?
-Parais de me chamar isso? Para que subiria a uma arvore?
-para dormir...
-Numa arvore? Acaso sou pássaro?
Enoah ia retorquir, quando um uivo de Warff, ecoou no silencio da floresta. Rápidamente ela esclareceu:
-Ou sois pássaro ou sois jantar! fazei como entenderes!
Numa agilidade felina Enoah, trepou os ramos, alcançando facilmente a copa da árvore. Desesperado e amedrontado Percival tirou a espada, colocando-a nas costas e tentou tambem ele trepar.
Num gesto de inadaptado, tentou se equilibrar, acabando por escorregar e caindo de costas, perante o riso da filha da montanha:
-Sois muito pesado. A Arvore não é um cavalo!
-Pesado? Asseguro-vos que apenas escorreguei. Ireis ver como alcançarei meu propósito.
Ganhando balanço, Percival abraçou num salto o ramo mais pequeno, que após tremer uns segundos, partiu, atirando o cavaleiro ao solo:
-Tendes dois olhos, mas nada conseguis ver. Comunicai com a àrvore, fazei-a ver que sois do bem e conseguirás!
-Jamais ouvi tal loucura. Não vos esqueceis que sois do povo. Não tendes qualquer conhecimento sobre...
Em dois movimentos felinos, Enoah, desceu e colocou-se atrás do cavaleiro que se levantava com esforço. Sem pedir autorização ou se importanto com o status de tão nobre cavaleiro, colocou-lhe as palmas da mão nos olhos e segredou-lhe:
-Não vos deixeis enganar pelo tamanho e altura do desafio. Escutai o vosso coração. Tratai a árvore como se fosse uma dama e asseguro-vos que ela vos deseja!
Como guiado por ela numa dança imaginária, de olhos fechados, Percival agarrou o tronco da árvore, como quem segura uma cintura feminina. Assentou a palma das mãos e serenamente içou-se, fincando os joehos com determinação, mas sem muita força. Nas suas pernas, sentiu pela primeira vez o carinho e suavidade das mãos seguras da filha da montanha.
De olhos ainda vendados, calculou o ramo próximo e estedeu a mão alcando-o, e por fim abraçando-o com carinho sentou-se, abrindo os ohos:
-Parabens oh grande cavaleiro. Haveis amado uma arvore!
Envergonhado Percival encostou-se e ficou a admirar o corpo ágil da filha da montanha que subia para perto dele.
Os uivos dos Warfs,aproximavam-se. O seu companheiro, observava-a em silêncio e meditava no que se seguiria.Por fim, com um encolher de ombros, inquiriu:
-Achais que essas criaturas trepam às arvores?
-Não creio. Penso que atacam em alcateia e não me parece crível que o façam numa árvore.
-Seja como for, sempre tenho a espada...
-Que numa arvore, cravada de criaturas ferozes, nos será absolutamente insignificante.
Alarmado por tal pensamento, Percival lamentou:
-Fosse eu arqueiro e seria melhor consolo.
-Porque só pensais em matar? Acaso a vossa vida está ameaçada?
-Nem estará, que não lhes darei tempo. Pelos Deuses, são criaturas ferozes, selvagens.
-Seres vivos, da mãe natureza, famintos e desesperados.
Os rugidos surgiram perto, bem como um grito. um grito tão temivel que gelou o coração de Percival.
Enoah, escutara-o igualmente arrepiada. Nunca ouvira nada tão horrivel e carregado de dor.Era humano, mas simultâneamente inumano na forma como gritava.
-Alguem foi apanhado pelas feras.- Percival deembainhava a espada.
-Duvido Sir Percival...-Enoah fez os olhos surpresos do nobre voltarem-se para si, era a primeira vez que o tratava pelo nome.
-Porque dizeis isso?
-Porque eles estão aqui!
No manto negro da noite, olhos vermelhos como pirilampos em fogo, piscavam na imensidão noturna, aproximando-se calmamente.
Mantinham a distância, mas o vermelho da Iris das criaturas estavam direcionados nos dois
-Estão a cercar-nos!
-Mantende-vos calmos. Não façais nada precipitado, ou atacam. Eles estão a estudar-nos!
-Pois que estudem isto!.
Percival levantou a espada, e de imediato três Warfs saltaram.Como Enoah previra, não conseguiam subir, limitavam-se a atirarem as patas dianteiras em direcção ao tronco da arvore, usando as patas traseiras como mola, para tentarem alcançar os pés dos dois humanos.
Um quarta fera, parecendo mais forte, ganhou balanço e tentou a sorte, saltando de caninos prontos e afiados para o nobre, que apoiando as costas no tronco, descreveu um circulo no ar com a espada, golpeando a orelha do animal.
-Parai com isso. -Gritou Enoah.
Mas ele não parou e a nova investida golpeou de novo, desta vez atingindo a jugular da fera, que tombou de pronto inanimada. Rapidamente , as restantes avançaram desesperadas e furiosas, investindo desordeiramente, sobre a arvore. Era uma questão de tempo, até conseguirem cansar os humanos. Afinal, eles teriam de descer. Uma após outra, saltava, rosnavam, uivavam...
-Porque uivam estas feras? Nós já sabemos que elas estão aqui.
-Estão a pedir ajuda...a chamar reforços.
-Pelos Deuses, a missão morrerá no inicio.
Enoah fechou os olhos e consultou com o seu poder de meditação o ambiente que os rodeava. no outro extremo da arvore, Percival investia em circulos, golpeando o véu noturno, na ânsia de atingir as feras. Duas haviam já tomabdo, mas em breve mais viriam.
Foi então que calmamente Enoah, abriu os olhos e fixou numa fera afastada, a unica que uivava. Olhou contemplativamente para o parceiro e inquiriu:
-Dizei-me rápido, quando em batalha se mata o general, que acontece?
-Como? Que raio de questão vem a ser essa, pelos Deuses?- A espada já pesava no cansaço do nobre.
-Respondei-me..
-Se o General tombar em batalha,normalmente o inimigo bate em retirada.
-Obrigado. Precisava de saber isso.
Despindo o fato capuz da tribo, nua perante a palidez da lua, que se atrevia asorrir por entre as copas altas de Arkhan, Enoah agarrou na adaga e saltou.
-Enoah! que fazeis...
Numa agilidade surpreendente, a jovem avançou pulando e voando entre as feras, e num salto de adaga apontada mergulhou em direcção ao Warff que uivava.
Automáticamente, Percival saltou par o solo, e de espada em punho, golpeava com a força toda que podia, as feras que o cercavam, de modo a criar diversão para Enoah.
Um grunhido de dor eccou em Arkhan, e as feras se calaram, rodeando a filha da montanha, que se mantinha apoiada num joelho, nua de adaga pontada para elas. Aos seus pés o pesado Warff, lider da matilha jazia ensaguentado.
Tao depressa como vieram ,os Warfs sobreviventes desapareceram ocultados pelo manto noturno de Arkhan, deixando um aliviado e cansado Percival e uma jovem, que chorava perante os cadáveres de animais no solo.
Aproximou-se de Percival, entregou-lhe a adaga e sentenciou:
-Não volteis a atacar outro animal na minha presença, ou eu mesma vos mato!
Enoah subiu a arvore e vestiu-se, encostando-se no tronco para dormir.

-------------Fim capitulo 10

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terça-feira, maio 4, 2010 - 14:45

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Mefistus

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Comentários

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Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

Além de tudo bom humor. Cada vez mais interessante o relacionamento de Enoah com Percival. Um capitulo onde se encontra humor, medo, e valentia.
Estou a gostar bastante!
Beijo,
Clarisse

imagem de Mefistus

Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

Val..

Agradecido por continuares amante da saga.
Realmente este foi um dos capitulos que mais me deu gozo a escrever.
Tenciono ficar por 18 capitulos.Já falta pouco

Poderá realmente ser uma historia de Amor!

imagem de Librisscriptaest

Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

Este capitulo esta sensual, mas sobretudo comovente, a sensualidade de Enah nua de adaga em punho harmoniza.se com tudo aquilo q ela começa a transmitir a Percival, a sua sabedoria e feminilidade torna-a uma heroina apaixonante!
Adoro Enoah, adoro ler-te!
Beijinho tão grande em ti, bem haja a forma como vês as mulheres e a sua sabedoria!
Inês

imagem de Mefistus

Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

a sensualidade de Enoah, a par com os poderes da Tribo, foi algo que quiz manter, incólume e como fio de relacionamento de toda a saga.
È certo que a rainha ajuda neste elan, mas Gambinus mexe-se nos bastidores.

imagem de danyfilipa

Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

valentia...
doçura...

oh que enoah esta...lado frio, lado meigo...
e o cavaleiro envergonhado? ohh...que vira daqui! lol

que historia mais fantastica...
de facto prende e prende e prende...
se ha contos seus que eu AMO ler e re.ler é este e o das cronicas de mauro ...nao desfazendo os outros, mas estes sao assim algo de outro mundo lol

"Despindo o fato capuz da tribo, nua perante a palidez da lua" - esta passagem, esta imagem...o lua brilhando o corpo luzindo...

e agora? cavaleiro percival vai ficar a noite a 'decifrar' enoah e a pensar no sue corpo?
uhmmm

ca espero ANSIOSAMENTE capitulo 11

bjoo

imagem de Mefistus

Re: A lenda de Enoah - Capitulo 10

danny;
Sempre lindos os teus comentários, como que tentando desvendar um pouco do véu.
Isso motiva, sabias?
As crónicas de Mauro foram abruptamente paradas. Não por preguiça, mas pelo pouco impacto aqui.
Retomarei, quanto mais não seja para leres...

Muito honrado pelas tuas constantes visitas!

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