Assaz lágrima ao soluço

Mas tu me houveste sussurrado com lágrimas nas palavras
Minha lamparina da inconsciência e meu sol já desgastado
Haveria de se apagar para sempre.
Uma mão falante ao telefone conduz o alfinete à alma mais uma vez
Naqueles descaminhos azuis impiedosos de minha agonia.

Pescai-me com olhos inundados no naufrágio do choro,
Sim, pescai-me do outro lado da linha ligada ao sangue
Pulsante latejante dum coração incrédulo e vacilante.

Tenebroso beijo escuro dizia o que uma têmpora triste
Haveria simplesmente de contar ou embalar na longa etapa
Da despedida ao flanco do som duma pequeníssima gotícula
Arremessada ao rosto encontrando o lago simples no canto dos lábios.

Leva avante um chiado ao ouvido cru à mingua
Ao entardecer da distância,
Enlaçamo-nos separamo-nos morramos
Sobre nós mortos à sepultura
Ainda fica uma leve tonalidade de semente não alimentada.

Urrou com toda dor com toda força da dor
Abruptamente um silente semblante aberto ao ar
Contorcido rosto.
Não. Não!... Não. Não!...

Troas mais uma vez e se apagas
Refugas das trevas e arquitetas o caminho do mesmo,
Bebamos nosso desespero e sorvei esta gota fria
Da consubstancialidade efêmera dum corpo tremulante
Soluçante assaz.

Submited by

Martes, Diciembre 15, 2009 - 19:10

Ministério da Poesia :

Sin votos aún

Alcantra

Imagen de Alcantra
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 11 años 2 semanas
Integró: 04/14/2009
Posts:
Points: 1563

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Alcantra

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/General Paletó de carícias 1 1.370 04/17/2012 - 02:32 Portuguese
Poesia/General Cômodo dos afugentados 2 1.466 04/12/2012 - 15:47 Portuguese
Poesia/General Escritos da Memória 1 1.133 04/06/2012 - 14:35 Portuguese
Poesia/General Interruptor do Sol 1 1.409 04/02/2012 - 19:42 Portuguese
Poesia/General A privada do gigante 0 1.560 03/30/2012 - 15:31 Portuguese
Poesia/General Azul da Prússia 0 1.348 03/26/2012 - 19:00 Portuguese
Poesia/General Labaredas sarcásticas dançam nas ruas de Roma 2 1.461 03/14/2012 - 20:39 Portuguese
Prosas/Mistério Lágrimas do leão cego 0 1.821 03/09/2012 - 14:13 Portuguese
Poesia/General Os campos de Julho 0 1.458 03/09/2012 - 14:10 Portuguese
Poesia/General Chalés da Beladona 0 1.231 03/05/2012 - 14:54 Portuguese
Poesia/General O nome da tarde era poesia 0 1.666 02/29/2012 - 21:29 Portuguese
Poesia/General Outro do Outro Lado 0 969 02/23/2012 - 22:06 Portuguese
Poesia/General O encantador de beija-flores 0 1.525 02/13/2012 - 14:29 Portuguese
Poesia/General Noi não contigo 0 1.145 02/07/2012 - 14:22 Portuguese
Poesia/General Letras em chamas 0 1.382 02/03/2012 - 09:59 Portuguese
Poesia/General Sonso e Truncado 0 1.428 01/12/2012 - 14:40 Portuguese
Poesia/General Os filhos do Beco 0 1.579 12/27/2011 - 13:48 Portuguese
Poesia/General Parapeito do mundo 0 1.270 12/19/2011 - 21:57 Portuguese
Poesia/General Chorrilho só chorrilho 0 1.059 12/13/2011 - 20:35 Portuguese
Poesia/General Ler sexo ou solidão 0 1.902 12/04/2011 - 17:52 Portuguese
Poesia/General Correr & nada ser 0 1.397 11/28/2011 - 21:39 Portuguese
Poesia/General Por azo ao flerte 0 1.371 11/20/2011 - 01:10 Portuguese
Poesia/General Arbítrios, broquéis contra missal 0 1.601 11/11/2011 - 21:07 Portuguese
Prosas/Otros Apenas num jornal 0 1.870 10/29/2011 - 23:42 Portuguese
Poesia/General A Capa e o Roubo 0 1.782 10/29/2011 - 23:40 Portuguese