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Aos vivos que ficam ou Epitáfio II

Aos vivos, que ficam, deixo aqui o meu consolo:
Nós vamos todos morrer,
- todos nós já sabemos disso -
mas esquecemos que isso nos torna afortunados!
Isso sim é uma dádiva!
A maioria das pessoas nunca vai morrer,
porque nunca vai nascer!
As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar ou no seu,
mas que jamais verão a luz do dia,
e jamais sentirão o calor do sol
e o frescor dos ventos e das chuvas,
são mais numerosas que os grãos de areia do mundo!
Certamente, esses fantasmas não nascidos incluem
poetas maiores do que Shakespeare,
cientistas maiores do que Newton e Einstein!
Sabemos disso hoje porque
o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA
excede em muito o conjunto de pessoas reais que existem e já existiram.
E apesar de todas essas probabilidades assombrosas,
somos eu e você,
com toda a nossa idiotice e nossa banalidade estúpida,
que aqui estamos...
E nós - uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento,
contrariando todas as probabilidades - como podemos nos atrever a choramingar
por causa de um retorno inevitável àquele estado anterior
do qual tão poucos saíram e a infinita maioria jamais saiu ou sairá?

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terça-feira, outubro 9, 2018 - 13:39

Poesia :

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MaynardoAlves

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Aos vivos que ficam ou Epitáfio II

Trata-se de mais uma reflexão sobre a morte, talvez um segundo epitáfio.

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