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Onde?

- Tratem de aguçar os ouvidos, amigos, pois vou falar de uma doença que assola os povos.
  Vou falar de uma doença que é a morte dos povos.
  Vou falar de uma instituição que é o mais frio dos monstros.
  Vou falar de uma instituição que mente friamente há milênios.
  Ouçam a mentira rasteira que sai de sua boca: "Eu sou a salvação do povo!".
  Digo que, onde ainda há povos livres, não se compreende essa afirmação, antes a negam!
  Nestes locais (cada vez mais raros no mundo) essa empresa é detestada
  como uma transgressão aos costumes e às leis naturais.
  Essa empresa mente e vem mentindo em todas as línguas,
  e em tudo o que diz mente, e tudo o que possui foi roubado!
  Tudo nela é falso; morde com dentes roubados e falsos...
  Até as suas entranhas são falsas!
  Uma confusão do que é o bem e o mal: é este o seu sinal.
  Na verdade, o que este sinal indica é a vontade da morte!
  Essa empresa chama os pregadores da morte para si.
  Nascem no mundo homens demais, e para os homens supérfluos inventou-se!
  Vejam como ela atrai os supérfluos!
  Vejam como os engole, como os mastiga e os remastiga! Depois os regurgita.
  Cospe-os, como escarros feitos à imagem e semelhança do subproduto de suas mentiras.
  "Em toda a Terra nada há maior do que eu;
  eu sou o dedo ordenador de Deus!" – assim grita o monstro.
  E não só os que têm orelhas grandes, vistas curtas e mentes nulas caem de joelhos!
  Também alguns espíritos e mentes grandes murmuram as suas sombrias mentiras!
  Essa empresa quer rodear-se de heróis e homens respeitáveis...
  A este frio monstro agrada-lhe acalentar-se ao sol da pura consciência.
  A todos ela finge querer dar tudo - se a adorarem.
  Tenta comprar o brilho da virtude e o altivo olhar dos nossos olhos todos os dias.
  Com isso atrai os supérfluos!
  Inventa com isso uma artimanha infernal, um corcel da morte,
  adornado com brilhantes de honrarias falsas e inventadas.
  Inventa para um grande número de pessoas uma morte que se preza a se chamar de vida;
  uma servidão à medida do desejo de todos esses pregadores da morte!
  Nesta empresa se faz todos beberem o mesmo veneno, e todos se perdem:
  lá, o lento suicídio de todos se chama "vida".
  Nesta empresa roubam-se as obras dos inventores e os tesouros dos sábios;
  chamam a civilização ao seu latrocínio,
  e tudo para esses vampiros são doenças e contratempos...
  Estão sempre doentes; expelem a sua bílis, e a isso chamam sermões!
  Devoram-se uns aos outros e nem sequer se sabem dirigir!
  Olhem, meus irmãos, para os seus líderes que adquirem cada vez mais riquezas
  e fazem cada vez surgir mais pobres: querem o poder, esses ineptos,
  e antes de tudo o palanque do poder: muito poder e muito dinheiro!
  Vejam como trepam esses ágeis macacos!
  Trepam uns sobre os outros e arrastam-se para o lodo e para o abismo!
  Todos querem abeirar-se do trono: é a sua loucura e a sua tara!
  Como se a felicidade estivesse no trono...
  Mas também o seu trono está no lodo... todos eles são macacos trepadores!
  O seu ídolo cheira mal; todos eles, esses idólatras, cheiram mal!
  Aspiram-se a conhecer e a atingir esse falso e imaginário ídolo;
  esse senhor de um falso e imaginário reino,
  onde são negados todos os instintos e as marcas do que é ser humano.
  Aliás, onde poderia estar esse ídolo? Onde poderia estar esse reino?
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Talvez nas esquinas? Nas fugas da vida?
  Nas ruas onde corpos caem perante a violência e o ódio?
  Nas lágrimas dos que choram suas faltas? Talvez...
  Para quem tem nada a perder, matar ou morrer é apenas fuga do ócio.
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Talvez nos alimentos que nos matam?
  Nos nossos órgãos que apodrecem e se desfalecem perante as doenças?
  Nas várias formas de câncer que nos consomem a cada dia? Talvez...
  Para quem nunca come, não existe alimento para abençoar ou agradecer.
  Nem sequer para amaldiçoar...
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Talvez nos templos que nos ludibriam e nos roubam?
  Nas igrejas que enriquecem às custas de ignorantes?
  No falso e irreal alívio mental da esmola-dízimo?
  Nas casas em que, em seu nome, se blasfema contra a inteligência e o intelecto?
  Os passos destes pregadores de morte
  não deixam pegadas em seus templos de concreto
  recheados de pessoas de plástico...
  Para quem não tem fé, ou tem fé em demasia, cegar-se, enganar e ser enganado,
  é apenas uma entre as mazelas desses tristes dias.
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  A cada tapa na cara e depois na outra face? Talvez no silêncio dos subjugados?
  Em suas preces inúteis, dirigidas para um não-sei-quem?
  Nas falácias de seus líderes? Na covardia dos que se escondem sob diversos nomes?
  Na escravidão causada pelo sistema?
  Na lavagem cerebral que emparelha homens como inimigos? Talvez...
  Para os que vivem da miséria (ou para os que apenas sobrevivem nela),
  esperar um além-mundo perfeito é parte de suas vidas eternamente postergadas.
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Talvez na negação da natureza e do corpo?
  Na contenção e ocultação de nossos desejos?
  Em nossos hormônios pseudo-inativados, desequilibrados?
  Na força ceifada de nossos corpos cansados?
  Na constante destruição ativa e passiva de nosso habitat?
  Na nossa condição de câncer do mundo?
  No assassinato diário de nossos antepassados? Talvez...
  Para os que vivem nesse mundo moderno e mentiroso,
  afastar-se cada vez mais de seus instintos e de sua natureza,
  é apenas alimento para seu ego e vaidade...
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Nos delírios dos vermes rastejantes
  que vivem de lamber o escarro de seus pulmões
  deteriorados pela tuberculose causada pelos ares pestilentos
  respirados por estes fracos quando estão em comunhão? Talvez...
  Para os que não vivem por si e nem para si
  ou não possuem um lar próprio e independente,
  comungar com outros fracos e juntar suas fraquezas,
  na tentativa suja de subjugar os fortes,
  em templos alheios à realidade, é o ópio que os faz sentir fortes.
  Onde poderia estar esse Deus? Onde?
  Nas penitências reais imputadas contra pecados imaginários?
  Na temerosa ilusão de um inferno, num além-túmulo que não existe? Talvez...
  Para quem tem uma vaga e mínima noção do que é certo e errado
  céu e inferno são apenas alegorias de nosso triste cotidiano...
  Em que parte do mundo Deus se esconde? Onde?
  Em que parte do homem ele se faz?
  Em que parte de Deus o homem se esconde? Onde?
  Em que parte do homem Deus ainda jaz?
  Deus está morto! Mas já foi enterrado?
  Foi mumificado no paraíso dos tolos? Ou no inferno dos pregadores?
  Nas veias abertas e expostas onde escondem-se a vida e a morte em forma de esgoto?
  Em meio ao silêncio onde o que mais cresce são os campos da morte?
  Ou onde choram as crianças, desesperam-se os jovens e lamentam os adultos?
  Ou nas casas que não são lares, nem moradas?
  Ou ainda estaria vivo? Escondido nesta grande civilização de seres irracionais...
  Poderia estar talvez na impotência que foi rebatizada de "bondade"?
  Talvez nos inúmeros insultos ao intelecto rotulados de "milagres"?
  Talvez na baixeza medrosa que foi rebatizada de "humildade"?
  Talvez na submissão àqueles que odiamos que foi rebatizada de "obediência"?
  Talvez no inofensivo, no fraco, no inepto, na própria covardia?
  Talvez nas cinzas dos que foram queimados nas "santas" inquisições?
  Talvez sob a pele nova para a velha cerimônia?
  Na manipulação dos sonhos e anseios?
  Na aniquilação do intelecto?
  Na lavagem cerebral que foi rebatizada de "educação religiosa"?
  No protocolo frio e vazio de incompreensíveis orações decoradas e difundidas
  em fábricas de crianças lobotomizadas em linha de produção a que chamam de catequese
  (esse sistema que condiciona as crianças a mentirem desde cedo)?
  Ou na vacuidade de uma vida coberta de falsa moral... reguladora e esmagadora moral...?
  No "aguardar-eternamente-na-porta", no "ter-sempre-de-esperar",
  no "ter-sempre-de-sonhar", na eterna esperança nunca satisfeita
  que recebe aqui o nome de "paciência" ou "virtude"?
  Talvez no "não-poder-vingar-se" que agora se chama "não-querer-vingar-se"?
  Talvez no rastejar-se perante os que se proclamam donos da verdade?
  Talvez no humilhante e fétido beija-mão que representa a submissão
  aos que impõem (e fazem-nos adorar e louvar) as mentiras milenares?
  Talvez no "Perdoe, pois eles não sabem o que fazem"? (Nós bem sabemos o que eles fazem...)
  Talvez no "não me deixe ser eu mesmo" disfarçado de "não me deixe cair em tentação"? Talvez...
  Falam do "amor aos inimigos" — e fervem, suam e derretem ao falar disso;
  dizem que batem nos cães que mais amam justamente por amá-los(!);
  dizem que sua (nossa) miséria é uma eleição e distinção por parte de Deus;
  dizem que a vida não é mais que sofrimento (pois, que cessem suas vidas de sofrimento!);
  que talvez essa miséria e esse sofrimento sejam uma preparação,
  uma prova, ou um treino para algo que um dia será recompensado e pago com juros enormes!
  E não em dinheiro! Não!
  E nem em ouro! Não! (Apesar de seus líderes viverem cobertos dele...)
  Mas em "felicidade"... num tal paraíso que outrora foi retirado do homem
  por ser "culpado" de comer da árvore do conhecimento e da ciência,
  causando assim a fúria (ou o medo?) deste mesmo Deus
  que promete o retorno à vida eterna neste mesmo tal paraíso...(!!!???)
  "Mas o conhecimento, o intelecto e a ciência devem ser banidos!" Por quê???
  A isto - a esta ignorância - chamam de "bênção", de "bem-aventurança", de "beatitude"...
  Dão a entender que não apenas são melhores que os outros...
  Não apenas são melhores, mas também "estão melhores" ou, de qualquer modo, estarão um dia...
  Taxam-nos de pecadores ao vivermos de modo diferente do deles,
  e tremem de fraqueza diante de seu desejo de luxúria não consumado.
  Inventam pecados substitutos para as nossas (e suas próprias) necessidades básicas.
  E se dizem "bem-aventurados" por serem miseráveis, fracos, aflitos, recalcados e estúpidos!
  "Os fortes, bons e inteligentes devem ser (e serão) punidos!"
  Rogam-nos maldições e se dizem bons por fazerem isso!
  Acusam-nos de falsos profetas... Muito suspeito...
  Mas basta, basta! Não aguento mais o ar ruim! O odor destes corpos com espíritos podres!
  Almas podres: pratos cheios para aqueles que vivem de desilusões...
  Por toda a parte ressoa a voz destes que pregam a morte,
  ou que pregam a "vida eterna" – que, no fundo, é o mesmo;
  em cidades de concreto e asfalto,
  onde o sangue rega o pouco da terra em forma de "perdão"...
  Esta oficina onde se fabricam ideais
  e se fazem oferendas a um "rei" morto
  está fedendo de tanta mentira!
  E como chamam aquilo que lhes serve de consolo por todo o sofrimento da vida?
  Como chamam sua fantasmagoria da bem-aventurança futura e/ou antecipada?
  Chamam de "juízo final", o "justo julgamento" sabe-se lá do que,
  o advento do seu reino, do chamado "Reino de Deus"! E consolam-se com isso...
  E, por enquanto, vivem na "fé", no "amor" e na "eterna esperança".
  Esperando eternamente...
  Eternamente aguardando, acreditando que seus "mais antigos antepassados",
  ao cometerem o "pecado original", imputaram-lhes uma dívida infindável!
  Impossível de quitar!
  Dívida esta que, num passado distante,
  sequer poderia ter sido quitada pelo filho pródigo de seu "salvador".
  O mesmo "salvador" que é o agiota que eternamente cobrará a dívida fantasiosa
  e irreal da qual injustamente fomos todos chamados a ser os devedores.
  Eternamente pagando os juros pelo consórcio, pela hipoteca dos nossos "pedaços de céu"...

- E quem estaria a impor toda esta submissão, toda esta mentira?

- Pois, pensem, meus amigos! E tentem não se assustar com os fantasmas...
  Somente pela imposição de uma "autoridade" claramente ilegítima pudemos chegar a isto!
  E onde essa "autoridade" tem sua principal força? Na teologia!
  Essa teologia que se diz inseparável da verdade,
  e que somente a conhecemos devido à imposição de sua "autoridade".
  Como se, para conferir uma certeza plena das matérias mais incompreensíveis à razão,
  bastasse nos fazer ver que estão em seus "livros sagrados",
  bem como, para mostrar a incerteza das coisas mais plausíveis,
  bastasse nos fazer ver que não estão neles contidas,
  porque seus princípios estão acima da razão e da natureza e,
  sendo o espírito humano demasiado fraco para atingi-los por seus próprios esforços,
  somente pode alcançar essa elevada intelecção se for guiado por forças sobrenaturais...
  Que nefasta e enfadonha ladainha...
  Fujam para o ar livre! Fujam do mau cheiro! Afastem-se da idolatria destes supérfluos!
  Fujam do mau cheiro! Afastem-se do fumo desses inúteis sacrifícios humanos!
  O mundo ainda é livre e grande para os que são grandes e livres espíritos!
  Para os que vivem solitários ainda há muitos lugares vagos
  onde se aspira a fragrância dos ares e mares limpos e silenciosos.
  Ainda têm uma vida livre os grandes espíritos!
  Na verdade, quem pouco possui tanto menos é possuído.
  Além de onde acaba a metafísica religiosa começa o homem que não é supérfluo;
  começa o canto dos que são necessários, a melodia única e insubstituível.
  Além de onde acaba a Igreja... Olhem! Conseguem ver o arco-íris e as pontes?
  Fujam, meus amigos, fujam para a sua solidão!
  Fujam, fujam para a sua vida verdadeira!
  Sem ilusões compráveis!
  Vejo-os aturdidos pelo ruído desses numerosos mentecaptos
  e crivados pelos ferrões desses pequenos zangões.
  Dignamente saberão vocês calarem-se com os bosques e os penedos.
  Aproximem-se de novo da árvore querida,
  a árvore de forte ramagem que escuta silenciosa, pendida para o mar;
  a árvore que possui o conhecimento que eles acreditam terem roubado de nós.
  Fujam para além de onde possam se ouvir o ruído e o zumbido dessas moscas venenosas!
  No mundo as melhores coisas nada valem sem alguém que as represente;
  chamamos esses representantes de grandes homens.
  O mundo gira em torno dos inventores de valores novos,
  gira invisivelmente em torno dos grandes solitários.
  Sejam estes grandes homens!
  Sejam os inventores dos valores novos!
  Amanhã haverá uma religião nova,
  e depois de amanhã outra mais nova
  e outra - todas descartáveis!
  O mundo está cheio de zangões ensurdecedores,
  cheio dos que se dizem ser os "homens do momento".
  Mas o momento oprime-os e eles os oprimem, meus amigos,
  exigem de vocês um insensato "sim" ou um insensato "não".
  Não tenham inveja destes espíritos opressores e absolutistas,
  vocês que são amantes da verdade!
  Nunca a verdade saiu das bocas desses espíritos mentirosos.
  Voltem aos seus asilos, longe dessa gente tumultuosa!
  Reflitam bastante no silêncio de sua saudável solidão;
  as fontes profundas têm que esperar muito para saber o que caiu na sua profundidade.
  Tudo quanto é grande passa longe dessas praças públicas
  onde se exibem esquartejadas a vontade e a liberdade.
  Longe dessas praças públicas e da "glória" desses vermes
  viveram sempre os inventores de valores novos.
  Fujam, meus amigos, para a solidão!
  Vejo-os aqui aguilhoados por essas moscas venenosas!
  Fujam para onde sopre um vento rijo! Fujam para a solidão!
  Aqui, viverão próximos demais dos pequenos mesquinhos.
  Fujam de toda essa vingança invisível!
  Não levantem mais o braço contra eles! (Isso somente legitimaria seu falso martírio).
  São inumeráveis, esses vermes, e o destino de vocês não é serem enxota-moscas!
  São inumeráveis esses pequenos e mesquinhos vermes;
  e altivos edifícios se têm visto destruídos por gotas de chuva e ervas daninhas.
  Vocês não são pedras, mas já fenderam-lhes infinitas gotas.
  Cuidado! Infinitas gotas continuarão a fender-vos e a quebrar-vos.
  Vejo-os cansados das moscas venenosas, vejo-os arranhados e ensanguentados,
  e o seu orgulho nem uma só vez se encolerizou. Basta!
  Elas desejariam o seu sangue com a maior "inocência";
  as suas almas anêmicas reclamam o seu sangue e picam com a maior "inocência".
  Vocês, que são profundos, sentem profundamente até as pequenas feridas,
  e antes da cura já passeavam pelas suas mãos os mesmos insetos venenosos.
  Também zumbem à sua volta com os seus louvores.
  Importunidades: eis os seus louvores!
  Querem estar perto da sua pele e do seu sangue.
  Adulam-nos como um deus ou como um diabo!
  Choramingam diante de vocês como diante de um deus ou de um diabo!
  São aduladores e choramingam, nada mais!
  Também sucede fazerem-se amáveis convosco;
  mas foi sempre essa a astúcia dos covardes:
  adulam e agradam muito.
  Eis uma verdade: os covardes são muito astutos!
  Pensam muito com a alma mesquinha. Suspeitam sempre.
  Tudo o que dá muito que pensar se torna suspeito.
  Como vocês são benévolos e justos, podem pensar:
  "Estes não têm culpa da pequenez da sua existência".
  Mas a sua alma acanhada pensa: "Toda a grande existência é culpada".
  Mesmo que sejam benévolos com eles, ainda se consideram desprezados
  e pagam o seu benefício com ações dissimuladas.
  O seu mudo orgulho contraria-os sempre,
  e alvoroçam quando acertam em ser bastante modestos para serem vaidosos.
  Livrem-se, portanto, destes pequenos vermes! Ao lixo com eles!
  Na sua presença sentem-se pequenos,
  e sua baixeza arde em invisível vingança contra vocês.
  A abnegação deles é cancerosa!
  Não notaram como costumávamos emudecer quando nos aproximávamos deles,
  e como as forças os abandonavam tal como a fumaça que se extingue?
  Sim, meus amigos, são a consciência roedora dos seus próximos,
  porque não são dignos de vocês!
  Por isso odeiam vocês e querem sugar o seu sangue!
  Os teus próximos hão de ser sempre moscas venenosas.
  Tamanha é a inveja deles que, justamente o que é grande em vocês,
  precisamente o que é livre em vocês, torna-os mais venenosos e mais semelhantes às moscas!
  Fujam, meus amigos, para a sua solidão, para além de onde sopra vento rijo e forte!
  Não é destino de vocês serem enxota-moscas!

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terça-feira, janeiro 2, 2018 - 16:49

Poesia :

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MaynardoAlves

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Comentários

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quanto ao meu no ser Outro

Eu publiquei vários poemas da minha adolescência aqui em 2010....o meu nick era Boypolar, porque eu sou bipolar....mas depois esqueci-me da password e tive que entrar com outro. A Corpos Editora já teve a gentileza de editar um livro meu gratuitamente, na altura pagava-se.....e agora trabalho com uma Editora Maior aqui em Portugal e estou acabar de escrever outro livro...já estou atrasado no prazo...éstou a escrever um Ensaio sobre a Espera
...Chamo-me Carlos Cebecinha e espero ter-te elucidado o porquê do nick Outro. Na altura não estava para pensar muito num nick e usei este.

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Nome

Ah, ok, Carlos. Entendido.
Que bom que você publica seus livros por editora. É muito bom trabalharmos com o que gostamos.
Eu, infelizmente, ainda não consegui viver como escritor...
Tenho muito material engavetado, ainda por publicar.
De que cidade de Portugal você é?
Minha família é do norte, lá de Montalegre, mas moro no Brasil.
Qual seu contato? e-mail, ou whatsapp etc.

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.....

sou de Lisboa...mais propriamente de Cascais. Trata de tirar os textos da gaveta e envia para editoras, vais ter uma surpresa como eu não tive....várias propostas de várias editoras. Eu não vivo só da escrita, eu estudei no Hot Club , uma escola de jazz em Lisboa....vou tocando aqui e a acolá, quando está bom tempo e Portugal agora está na moda cheio de turistas de todo o mundo, junto-me a outros músicos e tocamos na rua. Faz-se bom dinheiro.

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Aplauso

Clap clap clap clap clap clap clap clap hands. Congratulations...so so fucki'n delicious!!!

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Aplauso

Que bom que gostou!
Retribuo aqui o aplauso a todos os seus textos... são ótimos!

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agradecimento

Obrigado!!! Eu estou com bastante trabalho agora nestes últimos meses, mas vou espreitar os teus aos poucos de certeza absoluta.

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Onde?

Trata-se de um desabafo contra a persistente e enganosa noção (ainda presente, apesar da total falta de evidências e de todas as provas científicas e reflexões racionais contra a existência) de um Deus criador e/ou protetor, de um “designer inteligente” que seria responsável pela vida como a conhecemos; um lembrete de que todo o mal (e todo o bem) que existe é de nossa inteira responsabilidade, e de que apenas nessa vida (e não em qualquer outra - pois esta “outra vida” ou “outro mundo” também não existem) temos a oportunidade de exercer nossa existência e tornar-nos quem somos. Livremente baseado em ideias do filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche.

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mera curiosidade

Tu escreves o seu nome com letra maiúscula.

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mera curiosidade

...e você não escreve o seu...
ou "Outro" seria o seu nome?

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não

No livro Editado pela Corpos e na editora com que trabalho agora sou Carlos Cabecinha. Com um apelido que tenho não preciso coso de um pseudónimo.

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