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Justificação da realidade

tu que encerras a bondade
e és dono da verdade
abre a saudade
fecha a porta ao desespero

tu que queimas a senilidade
não controlas a vontade
deixa que voe, enfim
espera que passe

o meu azar, esse
foi navegar na liberdade
foi encontrar a minha maldade
foi virtude do desinteresse

nova alternativa nova ilusão
nova criatura vazia de razão
eis que amanhece no lago de ti
nova aventura que eu não li

nestes que passam contrapondo
na raíz do procura que eu respondo
vê a noite milenar
ouve o incessante desvarío resvalar

mortes
vindas do poente
pragas que nos levam a gente
rogo-te
camaleão público
some-te do nosso tempo
repete:
capataz
queira deixar-me em paz
raquítico
volta-te a sentar
o único milagre
é o que viver nos traz

Submited by

domingo, maio 20, 2012 - 03:29

Poesia :

Your rating: None (2 votes)

infectofacto

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Última vez online: há 3 anos 47 semanas
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Pontos: 172

Comentários

imagem de SuzeteBrainer

Belo, profundo e original

Belo, profundo e original esse teu poema...

Ecoa uma voz inquietante que nos seduz.

Gostei muito de ler-te, não só esse, mas os teus outros também.

imagem de infectofacto

Suzete, creio que qualquer

Suzete, creio que qualquer voz interior é inquietante, na medida em que é separada de nós.
Obrigado pelo comentário.

imagem de KeilaPatricia

DESTACO:¨queira deixar-me em

DESTACO:¨queira deixar-me em paz
raquítico
volta-te a sentar
o único milagre
é o que viver nos traz¨

Muito bom

bjs na alma

imagem de infectofacto

Obrigado pelo comentário,

Obrigado pelo comentário, Keila.

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