CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

A sucessão dos dias e a sede de voyeur ...

(Nada menos estranho para mim do que ser universal, humano e eu próprio, de versão consciente e de consciência livre, eu e sempre que posso)

A sucessão dos dias e a sede de voyeur

A sucessão dos dias é de facto consensual, a inalterável sequência das horas, a sequela da sensação dos minutos, a prossecução das gerações e das estações do ano, são como um guia, uma cúmplice realidade, viva e implícita, embebida num sudário ou num sáurio sonho, qual fazemos todos parte, a nossa expressão superlativa-quantitativa, embora diminuta, do tempo em forma de arte, pois que emoção é isso, a impressão expressiva do erro racional e não admitido, em forma de apelativo prazer, de estimulante vivido e vital perante a crueldade sincera e a consciência dolorosa in-vitro, que é viver de facto e realmente uma vida ultra e curta, sem sensações para invocar, nem dimensões de ordem extra, a pira ou o crematório para os oito intuitivos sentidos que nos restam e hão de soçobrar pateticamente na gesta de fogo versus ar e luar.
Se todos se sentissem tão comuns perante a vida e nós, como eu, perante a frieza da solidão que de facto se sente e eu sinto mais e muito, na paisagem agreste que me reveste da mesma forma e no mesmo género de satisfação de que eu sou, decomposto a meio, e todos tivessem a mesma sensação indiferente perante o vício solto de pensar e sonhar, dulcíssimos como a natureza do ar, lar intimo do que sinto e o orgulho ferido da realidade que a transfigura em irremediavelmente minha e eu em fatalmente seu, sucederíamos à quinta dimensão do tempo / espaço que diziam as divindades gregas suceder aos desejos de Omega, nas paisagens estéreo/ impassíveis, da fala e do falar que apenas na lua e no luar podem e há-de-haver em cada um, como em todos nós.
Controlamos os nossos defeitos em batalhas e rebeliões viscerais e não há, não existem impropérios reais, nem impérios virais “Do-bem” ou do mal que nos valham, nem sacrifícios que não amputem a razão na dimensão pura do ego, na vala comum e o eco da contenda que nos avise que perdemos. Clamamos pedindo repouso, misturando à lama do chão, ossos e as escaras dos que se diziam superiores, por quem os descreveu, sem estarem presentes nos sons dos campos de guerra, vazios passageiros do que resta da chama real, onírica e do vale de fumo, sem fundo que se chamam, ou de “falhar” ou de fama humana.
Na loucura, as faunas planas vestem-se de ouro em escamas e nas tardes sem honra, estranhos frades de toga buscam um Santo Graal sem validade, sem hora, nem nenhuma outra cura para a fé humana que não seja fraude e a incapacidade de viver sem o Omega, nem da palidez do Alfa, no mármore rósea nas capelas bizantinas, outrora na Capadócia extrema.
A isenção de sensibilidade censuradora, pisciforme, não nos purifica, antes nos esteriliza as escamas ao ponto de negarmos gerações conceptuais divergentes, somos seduzidos pelo asco e pela “touguia” universal, triunfal, pela mecânico quântica da mesquinhez vigente e da gargalhada persistente e viscosa, aplaudível por multidões universais, tosquiadas, sem formas e iguais a nós, eles mesmos, isentos e parciais, asquerosos pisciformes sem cor, ninguém de alma ilesa, acomodados funcionários e convalescentes do sentido estético, conspurcados assintomáticos.
A sucessão genética e embrionária é facto consensual e claro, uma tragédia estéril, quando se caracteriza de ambição e ganância gonorreica e a avidez protagoniza um placebo pouco nobre na ilusão de reproduzir semântica duma caixa de cartão liso ou papel canelado, mas vendável, já previamente cozinhado, com data de consumo obrigatória e a promessa de fomentar a realidade metafísica das sensações que não possuímos, mas reclamamos, tal como estéreis animais de esterco e de pasto para açougueiro.
Reajo contra a ideia cerebral, exacerbada de verdade, acertada e venal que vulgarmente se agrega ao papel higiénico numa crise diarreica fortíssima, provoca em mim uma náusea verbal mística e um sufoco do pensamento que vai além do desígnio consciente repugnante e auto purgante, persigo com o instinto do que procuro, como se fosse uma clarividência arejada, arrojada e doce, embora lhe dê uma designação de destaque, sinto-o agudo e pungente, assim como algo externo a mim, como um destino, um conceito, uma manifestação do que – “há de vir a ser”, clarividente e desapossada até ao tutano.
Bem hajam no futuro os deuses brandos e os mancos que pronunciam simples profecias, pois não haverá tíbias, nem pictóricos porteiros nem cadáveres pendurados pelos dedos em ameias, nem tratados tardios de paz, nem Sibilas, apenas a sucessão parda dos dias parados, como se fosse uma praia vizinha de Tróia, depois da guerra, num mar inclemente mas que é de todos nós, qual nos escapa como areia pelos nós dos dedos, como se fossem cabelos de Portia Deusa, pacata e mansa …a sucessão dos dias e por fim luz, luz ao fim do túnel …

No final da luz o fumo e o fim do túnel, sei que já disse tudo isto pois “ando-pouco-de-palavras” ultimamente, uso do mais grave que já disse, por não saber dizer nem mais, nem melhor, sou tudo o que me acusam e ainda mais, mas felizmente para mim segundo eu, ou não, segundo outros. Elegi neste lado do mundo, nesta parcela gástrica virtual,  uma vaidade mecânica de escrita pouco limpa e gasta como opção primeira e privilegiada de pensar e de pensamento e, na minha escrita não permito, nem permitirei, nem a febre dos fenos, nem do contágio decadente que polui de través, é e será o que constituí na minha interpretação de espaço, livre, comum de critica criativa e construtiva, excentricidades são e serão bem vindas desde que não rocem a imbecilidade expressiva e a rudeza, as expressões poética querem-se, quero-as eu e todos nós, vazias de exterioridades egoísticas, assim como a caixa onde o gato defeca diariamente se quer limpa de novos excrementos para que a verdade da agua pura flua e escorra por entre as vistosas pedras em cascata numa montanha livre de doenças parasitárias, malignas e esterilizáveis de pensamento e ideias, que o som das cristalinas águas nos acompanhe a todos e não o cárcere da infâmia e a lâmina da ignomínia com que muitas vezes sou reclamado a cooperar e reitero desde já um voto pelo bom funcionamento das nações e das instituições que minhas são também, quais posso e devo chamar assim, para que não se abra a tampa e pandora invada as nossas oníricas quimeras e as transforme em terríveis sensações decrepitas bem acima da linha do cabelo, bem hajam poetas e homens verdadeiramente amantes da escrita e da poesia, “no pasaran”, jamais passarão, eu passarinho.
Por fim luz ao fundo do túnel, não quero incendiar nem demais, nem – “de-menos” – os ânimos, apenas desejo e apelo ao bom entendimento  funcional do género humano e de algo que pode e deve ser belo, a partilha de palavras e o desejo, egoísta mas louvável de ser ouvido livremente e partilhado em comum por tantos e muitos ouvintes. Obrigado a todos por lerem o que partilho e o que escrevo, nestes momentos difíceis que atravessamos, toda a partilha é, como diz Bernardo Soares “A mais vil de todas as necessidades — a da confidência, a da confissão. E a necessidade da alma de ser exterior ” Obrigado a todos, bem hajam os seres humanos livres por vontade, bem hajam todos os poetas que amam as letras que usam, de todas as formas e em forma de arma, inclusive recriando uma nova, alterada e revolucionária sucessão de dias horas e mentes, pois que inalterável não é apenas a dor, Inalterável é a cachaça e um antropólogo em Marte, inalterável a minha sede de voyeur e a metafísica do terror, inalterável até o leite da Deusa Hera, mas eu não altero em nada seja o que for que sinta, seja ele quem for inclino-me ante quem é alterável quanto a minha dor que alterna entre a brava fúria e essa a qual me converto por amor.
Quando uma pessoa quer ver repetidos os mesmos padrões nos gestos, nas estrela mestras e os mesmos sorrisos nos rostos dos outros e não apenas nos das crianças, imutáveis quanto os castigos quer nos céus como nas gentes e nos despojos de dia zero, que as inúmeras vidas nos deram, quando alguém quer tudo isso o herdado e o por herdar, duma só vez, na breve vida, torna-se autista, Inalterável, incolor, inverneiro…

Joel Matos (Junho 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com

Submited by

terça-feira, junho 2, 2020 - 15:09

Poesia :

Your rating: None (1 vote)

Joel

imagem de Joel
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 1 dia 8 horas
Membro desde: 12/20/2009
Conteúdos:
Pontos: 40869

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of Joel

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Ministério da Poesia/Geral Deixemos descer à vala, o corpo que em vão nos deram 15 56 02/09/2021 - 08:55 Português
Ministério da Poesia/Geral A desconstrução 38 83 02/06/2021 - 21:18 Português
Ministério da Poesia/Geral Deixai-vos descer à vala, 0 42 02/06/2021 - 20:40 Português
Ministério da Poesia/Geral Permaneço mudo 0 37 02/06/2021 - 20:37 Português
Ministério da Poesia/Geral Os Dias Nossos do Isolamento 0 34 02/06/2021 - 20:35 Português
Poesia/Geral Gostar de estar vivo, dói! 0 33 02/06/2021 - 20:31 Português
Poesia/Geral Apologia das coisas bizarras 0 42 02/06/2021 - 20:29 Português
Poesia/Geral Meus sonhos são “de acordo” ao sonhado, 0 43 02/06/2021 - 20:27 Português
Ministério da Poesia/Geral Na terra onde ninguém me cala 1 35 02/06/2021 - 10:14 Português
Poesia/Geral Esquema gráfico para não sobreviver à morte … 5 61 02/05/2021 - 11:45 Português
Ministério da Poesia/Geral Tiras-me as palavras da boca 1 44 02/03/2021 - 18:31 Português
Ministério da Poesia/Geral A tenaz negação do eu, 1 42 01/25/2021 - 21:40 Português
Poesia/Geral O lugar que não se vê ... 0 51 01/25/2021 - 20:31 Português
Poesia/Geral Minh’alma é uma floresta 0 32 01/25/2021 - 19:58 Português
Ministério da Poesia/Geral Pangeia e a deriva continental 0 74 01/02/2021 - 18:34 Português
Ministério da Poesia/Geral A simbologia dos cimos 0 53 01/02/2021 - 18:23 Português
Ministério da Poesia/Geral Prefiro rosas púrpuras ... 0 41 01/02/2021 - 18:13 Português
Ministério da Poesia/Geral Por um ténue, pálido fio de tule 0 50 01/02/2021 - 17:59 Português
Ministério da Poesia/Geral Me perco em querer 0 47 01/02/2021 - 17:47 Português
Ministério da Poesia/Geral Epistemologia dos Sismos 0 42 01/02/2021 - 17:26 Português
Ministério da Poesia/Geral A sismologia nos símios 0 46 01/02/2021 - 17:11 Português
Poesia/Geral Não passo de um sonho vago, alheio 0 58 01/02/2021 - 16:48 Português
Poesia/Geral Cumpro com rigor a derrota 0 67 01/02/2021 - 16:23 Português
Poesia/Geral Perdida a humanidade em mim 0 72 01/02/2021 - 16:08 Português
Poesia/Geral Em pêlo e a galope... 7 184 11/27/2020 - 17:11 Português