Estado de desatenção provisório

Nos meus combates combati tenaz
Pelas bandeiras e versos, combati tenaz!
Eu vi meus passos deixarem rastros de sangue
Vi cores tremulando no alto. Eu vi a vitória!

Naqueles tempos de juventude sentia o gosto
Daquelas águas. Aquele vento era a chaga.
Eu vencia! Dos invejosos, a admiração
Por ser eu o dono do que eu queria.

Assim foi. Agora? Derrotado estou.
Agora estou. Onde estou?
Sou desalento. Onde vou?
Sou meu gemido; palavras e dor.

Estou calado. Falante aos ouvidos tácitos.
Lábios a vislumbrarem os tais passos de sangue.
Orgulho? Não sei se tive. Se obtive, deixei
De lado os corpos, as intervenções necessárias.

Eis que a morte caia ao meu lado!
Eu era supremo senhor de mim!
Invencível! Exército de muitos!
Eis que eu era o trono e a majestade!

Hoje sou resto. O que detesto é a lua que minguei
Para redefinir-me em poucas noites.
A cheia segue, eu sou estado.
O que detesto é a lua minguando rumo à cheia.

Estou desatento. Não sei a que poetizo.
Os versos que antes eram luta, agora é terreno ganho.
Tenho que aprender com a modéstia
Que modéstia é aprender a minguar-se!

Sei, não sei!
Não. Sei não sabendo que sei!
Sou desatento... Melhor, estou!

Submited by

Sunday, January 24, 2010 - 21:11

Poesia :

No votes yet

robsondesouza

robsondesouza's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 5 years 47 weeks ago
Joined: 01/08/2010
Posts:
Points: 998

Comments

Claudia_Martins's picture

Re: Estado de desatenção provisório

"Sei, não sei!
Não. Sei não sabendo que sei!
Sou desatento... Melhor, estou!"

Gostei.

xoxo

RobertoEstevesdaFonseca's picture

Re: Estado de desatenção provisório

Parabéns pelo belo poema.

Um abraço,
REF

cecilia's picture

Re: Estado de desatenção provisório

Robson,

Poema de auto avaliação, aprendendo a conviver com o eu interior.

Belo poema
Cecilia Iacona

MarneDulinski's picture

Re: Estado de desatenção provisório

LINDO POEMA, GOSTEI MUITO!
Meus parabéns,
Marne

Add comment

Login to post comments

other contents of robsondesouza

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia/Meditation Os sons 1 862 06/26/2010 - 18:15 Portuguese
Poesia/Aphorism Momento e palavras 1 1.052 06/22/2010 - 14:53 Portuguese
Poesia/General Uma dose de esperança 0 812 06/21/2010 - 20:18 Portuguese
Poesia/Sadness CRISE 3 958 06/08/2010 - 00:05 Portuguese
Poesia/Disillusion Beijo lançado ao ar 0 840 05/28/2010 - 19:07 Portuguese
Poesia/Sadness O barco e o mar 0 917 05/26/2010 - 18:19 Portuguese
Poesia/Disillusion Quando a solidão insiste em ficar ao lado 1 749 04/26/2010 - 01:50 Portuguese
Poesia/Meditation E quando falta a inspiração, o que fazer? 3 781 04/24/2010 - 12:04 Portuguese
Poesia/Disillusion Rapidíssimo 2 694 04/19/2010 - 14:25 Portuguese
Poesia/Meditation Poesia Autodestrutiva (Última parte) 1 806 04/14/2010 - 03:53 Portuguese
Poesia/Meditation Poesia Autodestrutiva (2 ª parte) 1 914 04/13/2010 - 19:46 Portuguese
Poesia/General Reverberações 2 641 04/12/2010 - 16:24 Portuguese
Poesia/Meditation Poesia Autodestrutiva (1 ª parte) 0 1.056 04/12/2010 - 15:52 Portuguese
Poesia/Dedicated Voa vento na virada da vida 5 702 04/12/2010 - 15:11 Portuguese
Poesia/Disillusion Renovando os votos com a poesia 1 761 04/10/2010 - 09:37 Portuguese
Poesia/Meditation Ataque de autocontrole 4 945 04/06/2010 - 16:37 Portuguese
Poesia/Meditation Existe no meu caderno uma folha escrita em branco 3 1.017 04/05/2010 - 17:30 Portuguese
Poesia/General Desapercebi 7 906 04/01/2010 - 17:46 Portuguese
Poesia/Meditation Não estou a dizer insignificâncias 1 873 03/29/2010 - 16:10 Portuguese
Poesia/Disillusion Certeza de um momento igual a outro qualquer 3 944 03/28/2010 - 02:02 Portuguese
Poesia/Sadness Segredos a ti 2 1.038 03/27/2010 - 17:13 Portuguese
Poesia/General Espécie extinguida à continuidade 2 890 03/27/2010 - 09:58 Portuguese
Poesia/General Serenata cantada na entrada de fora do amor 2 649 03/26/2010 - 08:48 Portuguese
Poesia/Sadness Corpo atirado ao mar do desprezo 9 1.002 03/24/2010 - 23:53 Portuguese
Poesia/Disillusion Resta esta lembrança 4 767 03/23/2010 - 15:20 Portuguese