O viuvo...

O corpo dela ainda está quente, rosado, suave...
O coração ainda nem sabe porque não bate
julga talvez q chegou a sua vez,
de ter aquelas merecidas ferias q as emoções,
sempre em turbilhões nunca lhe permitiram...
A Alma observa-lhe o corpo, morto,
já cheia de saudade,
se tivesse textura seria um afago,
cheio de ternura,
beijava-lhe a face
q ainda revela uma mulher bela...
Mas Deus escolheu fazer as almas invisíveis,
não tangíveis...
E la fora? Ele chora?
Não...
Ela morreu e ele nem soube sequer,
perdia-se nos braços de outra mulher...
O ultimo pensamento dela foi de um amor imenso,
entranhado, estranhado, intenso,
pelo homem q nem sabia
q ela morria...
Pediu para Deus o proteger,
enquanto ele suava
a gemer,
infectado do cheiro de outro corpo
de quem nem tinha decorado o nome...
As ultimas palavras q os lábios dela
proferiram, nem o feriram em remorso...
Q tenhas prazer meu amor...
E Morreu...
A ama-lo, como viveu...

Inês Dunas
Libris Scripta Est

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Wednesday, April 14, 2010 - 13:08

Poesia :

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Librisscriptaest

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Title: Moderador Prosa
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Comments

Dianinha's picture

Re: O viuvo...

Vou-lhe dizer, chorei quando acabei de ler...
Lindo mesmo! A Inês tem uma alma linda!
Tudo que escreve tem um sentimento fantástico...

Amei...
Beijo enorme minha querida!

xexeu's picture

Re: O viuvo...

não poderia deixar de dar meus parabéns, me emocionei até. muito boa poesia...puxa!!ufa!!

Anonymous's picture

Re: O viuvo...

Um poema divino
triste
emocionante.
Permita-me que lhe deixe um abraço, Inês,
até porque tem o nome da minha melhor amiga de
infância.
Parabéns pelo belo poema.
Vóny Ferreira

Gisa's picture

Re: O viuvo...

Tão dolorido, tão amargo e belo...Emocionante seu poema! Beijos

Anonymous's picture

Re: O viuvo...

Podia ser a preto e branco.
Uma curta metragem, com uma musica de fundo.
Está fantástico, sobretudo o final

Mefistus's picture

Re: O viuvo...

Lindissimo. De uma beleza pura,um casto som de violino sentido na primeira parte do poema, onde resvalam passagens cheias de dominio como :
sempre em turbilhões nunca lhe permitiram...
A Alma observa-lhe o corpo, morto,
Para depois em dó e ré, um piano tocar, ao fundo num inicio de sinfonia, num apelo de uma alma desfeita
O ultimo pensamento dela foi de um amor imenso,
entranhado, estranhado, intenso,

para arrematar num destino selado num coração tortuoso:
proferiram, nem o feriram em remorso...
Q tenhas prazer meu amor...
E Morreu...
A ama-lo, como viveu...

E isto é de facto o que eu entendo por Amor.

Vejo que resolves-te o teu problema com os finais. Lol.

Muito bom, para ler e reler

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